Setembro e depois

No Alto Zambenze, província do Moxico, dezasseis enfermeiros estão ausentes do local de trabalho há um pouco mais de um ano: não sei se o Estado continua a pagarlhes os salários, mas se até Setembro não aparecerem, bem aí, segundo o chefe do gabinete municipal da Saúde no Alto Zambeze, Jacinto Caumba Sandezi, avançar-se-á para a sua demissão. Por isso é tão bom integrar a função pública, daí as fi las e fi las na hora dos concursos públicos de admissão. Empreendedorismo? Só com a garantia salarial do Estado, claro. O Hospital municipal tem apenas 15 enfermeiros, e o Estado está à espera de Setembro para demitir os chico- espertos com quem, aliás, se tem dialogado para que voltem ao serviço, mas nada feito. Há aqui, no entanto, uma coisa boa: os enfermeiros desertores não são fantasmas. Fala-se com eles e tudo, só não querem voltar ao “fi m do mundo”. Terra que não é para qualquer um, diga-se, é para quem aguenta o isolamento, porque, ao que se diz, gastam-se dias para lá chegar por estrada desde o Luena. É daquelas partes da Angola esquecida, pelo Estado e por aqueles que juraram profi ssionalmente salvar as vidas dos que mais precisam. Só para lembrar que a capital do Alto Zambeze é o Cazombo. Sim, a terra famosa do tempo da guerra, terra de heróis, de gente que deu a vida por uma Angola que afi nal parece ter testamento de herança só para alguns. O povo do Alto Zambeze pode esperar por Setembro e depois, esperar ainda.

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