Corte e costura

Não sei se há angolano que se preze e que nunca tenha tido na sua família um alfaiate ou uma modista. Os calções para o Natal, o vestido para a festa… profissionais muito procurados noutros tempos, e, quando verdadeiramente bons, que belas peças eles faziam. Dedal, esponja para as agulhas, fita métrica, ponto cruzado, bainha, afunilar, expressões que se aprendiam com facilidade, bastava ir a um. Se não fosse um tio ou uma prima de verdade, seria ao menos o tio vizinho. Hoje é o seu dia. Ainda sobram alguns, há quem vista fatos apenas feitos à medida pelo alfaiate de confiança. Já vi senhoras a escolher peças de roupa numa loja para depois ir ajustar com a sua modista, ou transformar mesmo. Curiosamente, quando se fala destas profissões como estando em declínio, por causa da roupa do fardo e da ofensiva têxtil asiática que torou a roupa mais barata, também se ouve falar cada vez mais, em Angola, nos cursos profissionais de corte e costura, o que me leva a perguntar se toda a gente formada pelas centenas de centros que os ministram vai para o desemprego e inactividade, ou se se limita a confeccionar os chamados trajes africanos. Ou, se calhar, é tudo por falta de peças de fazenda, ou seja, de tecidos. E também das revistas das mães para inspirar modelos, como a burda, que por Angola já não circula. Para os que se colam às marcas, era bom experimentar roupa feita à medida, “é outro nível”.

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