Bolseiros clamam por programas locais de aprendizagem de língua estrangeira

Antes de concluírem o processo de adaptação aos países estrangeiros onde têm de frequentar os estudos, a língua local costuma a ser o primeiro factor de “ambientação” num meio que consideram, antes de mais nada, alheio

Os bolseiros que na semana passada prestaram entrevista a OPAÍS, manifestaram, na ocasião, o desejo de verem o Estado a criar um programa que inclua a aprendizagem da língua dos países onde angolanos irão formar-se, a fim de facilitar a inserção rápida no novo ambiente social. “Muito antes de nós viajarmos, podíamos ser submetidos a um curso intensivo de aprendizagem de Inglês, Espanhol, Francês, Russo ou Bielorusso, Romeno, bem como outra língua do país- destino, porque assim teríamos o aprendizado no estrangeiro como a fase complementar do nível já alcançado em Angola, considerou António Manuel da Silva, de 24 anos de idade, que se encontra a frequentar o último ano do curso de Economia, Moeda, Finança e Bancos em Túnis, na Tunísia.

Segundo observou, os estudantes que se destinam aos países de língua oficial francesa e os do Leste da Europa têm mais dificuldades no processo de assimilação do idioma local, já que o Inglês constitui a língua de eleição e opção de aprendizagem para uma boa parte dos adolescentes e jovens angolanos, por ser a mais optada por alunos nas escolas do ensino primário e secundário. Relatando o seu próprio caso, embora tenha classificado mais tarde como colectivo, António da Silva, confessou que não é fácil chegar a um país com o nível zero de Francês e enfrentar um curso durante quatro, cinco ou seis meses, para, depois disso, passar a estudar nesse idioma.

“Na Tunísia ainda temos o problema de ser a língua Árabe que predomina sobre a francesa, o que nos deixa à margem de qualquer possibilidade de aprender rápido, pela via comparativa da tradução, um processo que beneficia os nossos irmãos africanos de países que vivem incessantemente os padrões da religião muçulmana e da cultura árabe”, desabafou o bolseiro, asseverando que o não domínio inicial da língua leva os estrangeiros, como ele, a se inserirem com muita lentidão nos aspectos sociais da nova realidade. Para dar segurança ao que acabava de defender, chamou a atenção das pessoas para verem nisso a verdadeira causa do facto de haver poucos ou quase nenhum estudante angolano bolseiro que se destaque numa universidade estrangeira logo no seu primeiro ano.

“Outra proposta que acho oportuno colocar aqui é a de se reforçar o ensino dessas línguas (Inglês, Francês e Espanhol), de forma geral, e alternada, sobretudo nas escolas do ensino secundário do primeiro e segundo ciclos”, onde o aluno, ao invés de aprender apenas um idioma, deveria estudar as três línguas, durante os seis anos, entre a 7ª e a 12ª Classe. Para outros bolseiros ouvidos por O PAÍS, esta dinâmica deveria incluir políticas de promoção e projecção dessas disciplinas, ao ponto de, por via de concursos ou ciclos de tradução, assim como disputas de elaboração de contos e relatos diversos, na ocasião de visitas de entidades estrangeiras, suscitar a premiação dos alunos envolvidos nas referidas actividades. Esses estudantes apelaram aos responsáveis directos do ensino vigente no país para promoverem mais a língua francesa nas escolas do ensino geral, a fim de diminuir as dificuldades dos bolseiros que rumam para os países francófonos.

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