Cerca de quatro mil médicos fora do sistema nacional de Saúde

Domingos Cristóvão, membro da direcção executiva da Ordem dos Médicos de Angola (ORMED), revelou que na instituição têm registos de quatro mil médicos que estão no desemprego e que fariam a diferença se fossem distribuídos pelas mil unidades sanitárias com dificuldades

O membro da comissão executiva da ORMED falava à margem do esclarecimento que a sua instituição fez ontem, em Luanda, em relação ao “mal-entendido” sobre um áudio em circulação nas redes sociais com os pronunciamentos da sua bastonária, Elisa Gaspar, no Cunene, sobre a classe dos enfermeiros, há mais de um mês, sobre os quais as organizações profissionais de enfermagem exigem um pedido público de desculpas, tendo mesmo decretado uma greve que teve início na Segunda-feira (22). Domingos Cristóvão afirmou que “os cerca de quatro mil médicos que estão fora do Sistema Nacional de Saúde resolveriam os problemas que enfrentam muitos pacientes sujeitos a hemodiálises, por exemplo, entre outras problemáticas existentes no país”.

Disse ainda que estudos demonstram que a primeira causa da falência renal tem sido a intoxicação medicamentosa, que advém de receitas mal prescritas e medicamentos que interagem de forma inadequada prescritos por profissionais não habilitados. Por seu turno, Elisa Gaspar, bastonária da ORMED frisou: “eu não discriminei os enfermeiros, mas acredito que temos que corrigir o que está mal. Há profissionais do sector da Saúde não médicos que fazem receitas médicas não correctas e prejudicam os populares”. Há registos de diversos casos irregulares como atestados médico para trabalho, para carta de condução e para escola, de utentes que se dirigem à ORMED para reclamar, quando examinados pelos profissionais de Saúde concluem que não são funcionários indicados para prescrever tais documentos. Segundo Elisa Gaspar, a questão não é de luta de classes, mas sim corrigir o que está mal.

Reconhece que há falta de profissionais médicos em algumas zonas, mas o facto não deve implicar que a população seja mutilada. Sobre a instituição que dirige, disse que encontrou a casa muito desarrumada e, pelo facto, escolheu o lema “Vamos pôr ordem na Ordem”. Por agora está a organizar a casa, reconhecendo que mudanças trazem problemas. Mas as pessoas devem perceber que quanto mais se denunciar os casos de desorganização existentes, mais se melhora os serviços de Saúde, o que é um bem para todos. “As pessoas não devem pensar que a bastonária está contra este ou aquele, porque tenho dado algumas recomendações, apesar de saber que não podemos agradar a gregos e a troianos. Há ainda uma passagem que eu gosto: “O meu povo sofre por não conhecer a verdade, conhecerás a verdade e serás libertado”. É em função desta passagem que a ORMED está a trabalhar. Apelo a denunciar os factos que não são normais, falando com a classe e melhorar os aspectos que é possível melhorar”.

ORMED reitera disponibilidade para o diálogo com os enfermeiros

Jeremias Agostinho, porta voz, da Ordem dos Médicos de Angola (ORMED), afirmou que “não houve destrato público por parte da dirigente da organização dos médicos para com os colegas enfermeiros. Mas sim um áudio editado, passando a imagem de que a informação que estava a ser veiculada foi emitida publicamente”. O porta-voz explicou o pronunciamento foi feito numa assembleia realizada na província do Cunene, à porta fechada, e alguém de má-fé gravou e editou.

Encontros do género realizaram-se em várias províncias do país. Assim sendo, “da nossa parte não há abertura para pedidos de desculpas, mas sim abertura para uma concertação”, continuou “Se analisar o comunicado da última assembleia dos enfermeiros, no CIAM, referia-se a bastonária como sendo uma demente, que não goza das suas faculdades mentais, que deveria ser atendida no hospital psiquiátrico, escorraçada da ORMED. Se se partir do pressuposto do pedido de desculpas, considerando os comunicados, o da classe dos enfermeiros foi público”. E tratou uma entidade que dirige um órgão de grande importância, continuou, “que exerce actividade de medicina há mais de 30 anos, prestou serviço às Forças Armadas Angolanas, foi considerada pelo povo angolano como médica exemplar em duas ocasiões, detentora de um currículo invejável a nível do sector da Saúde, ser tratada com adjectivos desqualificativos não será um atentado à moral e ao bom nome a bastonária?”, questionou Jeremias Agostinho.

Entretanto, o porta-voz, da ORMED explicou que a sua instituição é uma organização socio-profissional cujo interesse é defender a classe médica. Lembrou que a mesma não tem poder Legislativo, Executivo e Jurídico, sendo que não funciona junto do Estado ou do Ministério da Saúde. Sendo que sobrevive, do ponto de vista administrativo, por um colectivo de médicos que gere a organização e financeiramente da quotização dos seus membros, e por este facto, todas as actividades e decisões tomadas são da responsabilidade da classe.

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