Palmadas na cabeça

Não, não me enganei, porque não queria dizer palmadas nas costas. E também não se trata de um acto de violência. Mas não é que, quando não nos lembramos de alguma coisa, ou quando não estamos a perceber bem o que se passa, não é raro darmos umas palmadinhas na nossa própria testa? Sim, aposto que já toda a gente o fez pelo menos uma vez. Aliás, este gesto é quase sempre involuntário. Em Angola, porém, o melhor é munirmo- nos de um martelo para o caso, ou, s estiver a exagerar, treinar bem os braços, aqui são precisas palmadas fortes na cabeça. Há coisas que simplesmente não entram. Ontem, na hora dos noticiários da tarde, deixei-me estar com o comando do televisor na mão a saltar da TPA para a TV Zimbo e vice-versa. Até que dei com uma noticia na TPA, daquelas que fazem um cristão bater com a cabeça na parede. A cidade da Caála, no Huambo, em que os moradores têm água nas torneiras apenas duas vezes por semana, porque o sistema instalado é da era colonial, passa agora a ter electricidade com a ligação à linha que vem de Laúca. São 5 MW. Boa, Laúca está mesmo a dar, chegou ao planalto e podese começar a sonhar com o progresso. Mas, espera aí, a Caála estava sem electricidaee? Como? E, então, e a barragem do Ngove, nesse mesmo município, inaugurada há pouco mais de seis anos? Eu estive lá, tal como estive na inauguração de Laúca. Será que daqui a uns anos teremos novas festas pela electricidade de outra barragem porque Laúca afinal se eclipsou também? Para entender isso só mesmo amaciando a cabeça com grandes palmadas, e ainda assim olhe lá, a cabeça não tem culpa nenhuma!

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