Agrónomo defende especialização na classe

Adérito Costa gostaria de ver mais agrónomos a pôr a mão na terra, em vez de se encherem apenas de teorias. E diz: “o problema não são as vias de acesso, mas a conservação dos produtos

engenheiro agrónomo Adérito Costa defende a necessidade de os técnicos do seu sector se pecializarem, porque, de acordo com ele, muitos são os agrónomos que enveredaram por outros campos, fogem. “A medida que pode evitar agrónomos detentores apenas de teoria pode ser vista como uma forma concreta, com o objectivo de potencializar as culturas, de modo a que os técnicos da área não se limitem a dar boas explicações com base em matérias que adquiriram nas instituições de formação”, observou o engenheiro, para quem a componente prática é determinante numa área em que o contacto com a terra é absolutamente inevitável.

Partindo do princípio de que a prática faz a perfeição, o agrónomo reconhece que muitos colegas seus tiveram poucas oportunidades de lidar com as implicações do trabalho de campo. Relativamente à potencialização das culturas, ele acha necessário que se criem condições nas províncias fora da capital de Angola, que constituem verdadeiros modelos em termos de agricultura, para que, com esses requisitos criados, se torne essas zonas mais produtivas. “Ao torná-las produtivas, o outro ponto que surge tem a ver com o escoamento, pois neste capítulo o Estado terá de criar bases centrais, onde todo e qualquer produtor, dentro do município, vai levar a sua produção, para depositar”, disse o entrevistado, que acha, a partir daí, estarem criadas as condições para se regularem os preços, desde que as outras políticas de aquisição de meios sejam disponibilizadas.

A outra questão que colocou tem a ver com o facto de não importar a maneira de produção usada por este ou aquele produtor, no que toca, por exemplo, ao cultivo da banana, manga, do tomate, alface e outros, mas o impacto que a actividade vai ter no mercado. Aliás, explicou a seguir, em Angola há um hábito de produção sazonal, que dita as épocas como sendo de tomate ou da cebola, ao ponto de se comprar um balde desses produtos entre, respectivamente, 500 e mil Kwanzas. “Quando escassear esse produto, este mesmo balde de tomate ou de cebola é capazs de vir a custar entre dois a três mil”, avaliou. Adérito Costa acredita que este quadro pode ser invertido, por via de um controlo, cujos critérios passam pela alteração da tipologia e das culturas que de os solos carecem, os nutrientes fundamentalmente, sendo que o mais importante, diante de tudo isso, passe pelo factor água.

Segundo ele, muitos agrónomos comprometem-se a fazer agricultura em grande escala apenas na época chuvosa, por causa da água das chuvas que permite regar as suas culturas. “Não se faz cultivo dos campos com água das chuvas, nem com as imde retenção, faz-se com água, desde que a gente a tenha em qualquer altura do ano”, corrigiu o especialista, adiantando que, em qualquer momento se pode produzir, razão pela qual se devia considerar um erro alegar que não é a época de tomate, cebola, cenoura, pimento ou beringela, por exemplo. Acrescentou que era só adaptar às situações climatéricas e às condições do solo. Chamando à atenção, referiu, por exemplo, que nos meses de Dezembro e Janeiro poderia haver uma escassez de tomate, mas, se os homens da classe tiverem ideias concretas para alterar esse panorama, conseguia-se ter o produto, numa fase teoricamente imprópria. “Até que isso é feito, mas em pequena escala, porque são poucos os que se aventuram nessa tarefa que se diz ser difícil”, concluiu.

Tipologia na cultura Questionado sobre se sente saudade dos tempos em que cada província representava uma bandeira na produção de certo produto, o engenheiro agrónomo, consentiu, afirmando, porém, que essa carga devia ser mais da parte do Estado. “Porque o Governo é o ente que ostenta e sustenta este país, sendo que, em parte, tem de financiar projectos de grande magnitude, especificando tipologias de produto, mas o empresário particular não se pode levar por essas práticas, porque precisa de fazer o tipo de cultura, a curto prazo, para manter a sua rentabilidade e outra a longo prazo com o objectivo de manter a sua rotatividade”, realçou o interlocutor de OPAÍS, exemplificando que há quem faça horticultura, fruticultura e “tuberculocultura”, porquanto nem todas culturas são colhidas ao mesmo tempo.Afirmou o tempo que se espera para se colher uma pitaya, ou manga, não é o mesmo que se precisava para se colher o tomate, pimento, cebola ou a abóbora, pois, cada cultura tem a sua periodicidade, desde o lançamento da semente na terra até à captura do fruto e depois até à fase de levá-los ao consumidor final.

Problema no alojamento de produtos

Sobre o escoamento, foi perentório em afirmar que o maior problema não estava nas vias de acesso, mas nas condições de alojamento ou acondicionamento destes. “Um exemplo claro é o de que os camiões da Shoprite saem da Namíbia ou África do Sul e chegam com os produtos intactos cá em Luanda, por causa das condições frigoríficas de que dispõem nas viaturas”, ilustrou Adérito, questionando, logo a seguir, se os empresários angolanos não podiam ter o apoio do Estado para adquirir veículos do género ou ainda melhores.Salientou, finalmente, que é preciso atender que um produtor do Loduimbali (Huambo) que tem o seu alojamento em Benguela, por exemplo, em função do longo percurso que é obrigado a percorrer, está sujeito a passar por avarias e chuva sobre terra batida, mas o importante será sempre ter condições frigoríficas no seu carro.

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