Comida que baste no Cunene

Fazendo bem as contas, e olhando para os números oficiais, de muito perto de um milhão de toneladas de alimentos, pode-se dizer que o Cunene já recebeu um pouco mais de uma tonelada de apoio para cada cidadão daquela parcela do território nacional, que não chegam ao milhão de pessoas. Portanto, já não faz sentido falar-se do combate à fome no Cunene, falemos agora do que interessa para eliminar a possibilidade de novos ciclos de fome na província. Mas, à boa moda angolana, paremos primeiro para felicitar o Governo, que esteve bem na sua intervenção, o papel do Presidente da República, João Lourenço, que se deslocou à província e assim mobilizou vontades, disciplina e trabalho, à Rádio Nacional de Angola, que tem consigo ainda mais ajuda para fazer chegar ao Cunene, o que aumentará a quantidade por pessoa, e aos angolanos que, apesar da subida do custo de vida, dos “ivas” e de outras desgraças, mostraram ter sobrado em si espaço sufi ciente para a solidariedade por quem precisa. Por este lado, a coisa está feita. Bem feita. Agora falta aos governantes pensar que no Cunene e no Sul de Angola não voltará a chover nunca mais e agir em consonância, só assim se evitarão mais gritos a pedir socorro no futuro. Como lidar com a cultura local de criação de gado? Como introduzir formas de agricultura em zonas secas? E, já agora, ensinar aos locais que a riqueza em gado pode transformar-se em riqueza em dinheiro sem prescindir do gado. Mas aqui já é preciso mais do que solidariedade, há que pôr a ciência a trabalhar e a se juntar ao conhecimento dos mais velhos.

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