Economia chinesa cresce 3% apesar do “embargo” dos EUA

A economia chinesa registou um crescimento de três por cento no primeiro semestre deste ano, em relação à economia mundial, apesar das “sanções” económicas que lhe foram aplicadas pelos Estados Unidos da América (EUA), garantiu ontem, em Pequim, o diplomata chines reformado Chen Duqim.

Diplomata garantiu à imprensa, à margem do seminário de Cooperação na Área de Comunicação que reúne na capital chinesa jornalistas de vários países lusófonos, que a China tem bases suficientemente fortes para suportar as limitações económicas que lhe foram aplicadas. Isto explica que, até ao momento, as “sanções” não provocaram impacto negativo na economia do seu país, mas não descarta, contudo, a possibilidade de tal vir a ocorrer, ainda que em pequena escala. Chen Duqim disse que se assim for, estará dentro do limite de tolerância da economia chinesa, que registou uma taxa de crescimento satisfatória no primeiro semestre deste ano.

“Por incrível que pareça, no ano passado, mesmo depois de ter iniciado a guerra comercial contra a China, a importação norte-americana ao nosso país cresceu mais ainda. Os EUA ficaram com maior défice”, frisou. De acordo com o nosso interlocutor, o seu país não tem receio de entrar para esse conflito económico, está muito firme e a seguir o seu caminho. A posição do seu país é muito clara e decisiva. “Nós não queremos essa guerra, nem temos medo dela. Espero esperamos que um dia os americanos tenham maior juízo para reavaliar”, disse.

Apesar do momento de tensão que se regista nas relações entre as duas potências mundiais, o diplomata reformado ressaltou que a amizade entre os povos dos dois países continua a existir e que tais “medidas desagradáveis saíram de um punhado de gente que procura tirar maior benefício para eles. “E isso não tem cabimento”. Chen Duqim sublinhou que o que o oponente do seu país quer, sobretudo, é impedir o crescimento de outros países, quando as trocas comerciais devem ser mutuamente benéficas, sobretudo no mundo globalizado. Em seu entender, para concretizar esse fim, os americanos, sob o pretexto de uma política que visa colocá-los em primeiro plano, querem impor essa guerra económica contra a China e outros países. “A troca comercial e a participação na cadeia comercial de fornecimento é universal”, frisou.

Volume de negócios de 500 mil milhões de dólares

Entretanto, ressaltou que aqueles que querem prejudicar os outros acabam sendo os mais prejudicados, referindo-se concretamente aos EUA, principal parceiro comercial do seu país, com um volume de negócio de quase 500 mil milhões de dólares por ano. Para o diplomata, que dirige o Centro Brasileiro de Pesquisas do Instituto Latino-Americano da Academia Chinesa de Estudos Internacionais, não existe qualquer possibilidade desse conflito desembocar numa eventual terceira guerra mundial. No entanto, o seu país vai continuar a fazer braço-de-ferro com os EUA, num esforço que diz não estar a defender apenas os seus interesses, mas o interesse mundial. “Não acredito que se vá instalar uma terceira guerra mundial. Isso é um pouco exagerado. Economia e política são duas coisas destintas, embora entrelaçadas”, esclareceu Chen Duqing.

Impacto na vida do cidadão comum

O cidadão comum sente os efeitos das sanções dos Estados Unidos da América, principalmente com o bloqueio das redes sociais de origem nesse país e de motores de busca na Internet, como o Google. Com isso, plataformas como o Whatsapp acabaram por ver os seus utilizadores migrarem para o aplicativo WeChat, que tem as mesmas funções.

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