Museu de Antropologia propõe ao público o instrumento de caça “Tambi”

Museu de Antropologia propõe ao público o instrumento de caça “Tambi”

Pertencente ao grupo etnolinguístico Côkwe, o “Tambi” é considerado como “armadilha de pesca”, constituído por um cesto (grande), feito de tiras de palmeira, varas curvas e fibras vegetais. Segundo o director do museu, Álvaro Jorge, as mulheres ao prepararem- se para essa prática, geralmente organizam-se em grupos para as grandes pescarias colectivas na estação seca, durante a qual se verifica a baixa do caudal das águas nos rios e lagoas. “As populações do litoral, a par de outras actividades, dedicamse à pesca marítima e, no interior, à pesca fluvial e lacustre que, é uma prática quotidiana”, contou.

De acordo com as pesquisas realizadas pelo Departamento de Investigação Científica do Museu, as mulheres colocam o “Tambi” em posição de emboscada para a captura de peixes, sendo necessário que um outro grupo movimente as águas laterais do rio, de modos a afugentar e levar os peixes em direcção à armadilha. Logo que o grupo se aproximar da peça, este é levantado, cheio de peixes, que depois são colocados na “Cifamba” (uma pequena cabaça) para facilitar a sua transportação. Consta que a quantidade capturada depende normalmente do tempo de espera para haver reprodução dos peixes, nas águas já exploradas. Por esse motivo, aconselha-se a mudança regular do local da actividade piscatória.

A actividade piscatória

Essa actividade é tida como meio de subsistência para as comunidades, tanto nas zonas urbanas como nos meios rurais, pelo que a variedade da pesca depende e corresponde às condições hidrográficas. Portanto, a pesca é feita com o auxílio de instrumentos apropriados, tais como canoas, redes, nassas médias e de grande porte, muco, cipasu, anzóis, fisgas ou tarrafa, que são usados na pesca fluvial.

Importância do projecto

Este projecto funciona há três anos e tem como objectivo movimentar e divulgar as peças existentes no acervo do museu, bem como propagar na sociedade a sua importância como património cultural e nacional, função social, descrição, origem e atrair os cidadãos a visitar o espaço. Desde o arranque do projecto em Agosto de 2016 foram expostas mais de 20 peças, tendo começado com a “Pedra de Hiroshima”, “Lilweka”, “Luena”, “O Pensador” (Kuku Kalamba), “Ndemba”, “Kiela”, “Kikondi”, “Mulondo” e “Cihongo” (Txihongo), “Kijinga”, Heholo”, “Mintadi, Mufuka”, “Mukwale e o “Mulondo branco”, “Onga”e “Amuleto de Jingongo”. Mais de 3 mil visitantes, entre turistas nacionais e estrangeiros (a maior parte franceses e cubanos) e estudantes do ensino primário e secundário, que têm o projecto como complemento do programa escolar visitaram a exposição até ao momento.

O museu

Criado no dia 13 de Novembro de 1976, o Museu Nacional de Antropologia tem por missão assegurar a preservação do acervo etnográfico e antropológico da memória colectiva do povo angolano, além da investigação, recolha e exposição do mesmo para o usufruto público. O mesmo possui um acervo de cerca de seis mil objectos (parte do acervo é constituído pelo espólio do antigo Museu de Angola e outra parte proveniente do acervo do Museu do Dundo) que comporta maioritariamente peças etnográficas que descrevem o quotidiano dos diferentes grupos etnolinguísticos de Angola (os Bakongo, os Ambundu, os Ovimbundu, os Lunda e Côkwe, os Ovingangela, os Nyaneka Khumbi, os Helelo, os Ovambó e os San/Kung). Do acervo destaca-se as peças sobre pastorícia, caça, metalurgia, pesca, tecelagem, instrumentos musicais, cerâmica, cestaria, crenças religiosas, arte africana, poder tradicional, arte sacra, numismática e artes plásticas (pintura).