Secretário da CASA-CE no Soyo acusa directores provinciais de serem os responsáveis por desvios de combustíveis

Em consequência do contrabando, a província do Zaire, nos últimos dias, enfrenta uma acentuada escassez de combustíveis, com o litro de gasolina a ser comercializado, em diversos pontos da região, ao preço de 400 kwanzas

Domingos Bento, enviado ao Soyo

O secretário da CASA-CE no município do Soyo, província do Zaire, Hamilton de Lemos, acusou, em entrevista ao OPAIS, os directores provinciais e altas figuras locais de estarem na “frente” dos desvios de combustíveis naquela parcela do território nacional. Porém, em consequência do contrabando, a províncias do Zaire enfrenta uma acentuada escassez de combustíveis, com o litro de gasolina a ser comercializado, por alguns operadores, ao preço de 400 kwanzas. Segundo o político, os dirigentes e altas entidades ligadas à gestão da província têm desviado o combustível, que é fornecido pelo Estado, para benefício próprio.

Conforme explicou, ao invés de fornecerem às bombas, os “mafiosos” desviam os combustíveis para as zonas fronteiriças com a República Democrática do Congo (RDC) onde comercializam a “preço de ouro”. Hamilton de Lemos disse, inclusive, haver bombas clandestinas no meio de matagais, nas zonas fronteiriças, cuja missão é abastecer apenas a RDC, em detrimento da província, que fica numa autêntica seca, sem combustíveis nos principais pontos de venda. De acordo com o político, que pede a máxima actuação do Serviço de Investigação Criminal (SIC), todo esse esquema é feito no período da noite, com os camiões a serem desviados para o outro lado da fronteira, em prejuízo da grande maioria da população, que acaba privada do produto.

“Não é fácil encontrar combustível no Soyo, sobretudo durante os finais de semana. Recentemente houve uma melhoria, mas tudo por causa da visita do Presidente. Mais dias ou menos dias, a situação voltará ao mesmo de sempre. Não é possível… até porque somos um município produtor de petróleo”, deplorou o político, tendo acrescentado que, “para o nosso espanto, muitas vezes, nós, os angolanos, ainda compramos combustíveis das mãos dos próprios congoleses, a quem os dirigentes vendem os combustíveis. É um autêntico abuso”

Recentemente, aquando da sua visita de trabalhão de dois dias a província do Zaire, o Presidente da Republica, João Lourenço, apontou a necessidade do estabelecimento de regras no comércio de fronteiras para evitar a venda anárquica de combustíveis aos países vizinhos, sobretudo para a República Democrática do Congo.

João Lourenço disse que, para além de não defender os interesses nacionais, a venda clandestina de combustíveis nas fronteiras não permite ao Estado a arrecadação de receitas e tem sido um dos principais factores de escassez dos produtos derivados do petróleo, com destaque para a gasolina e o gasóleo, tendo afirmado que, para um país que é produtor de petróleo, não é aceitável que haja escassez de gasolina, gasóleo e outros derivados do crude. Porém, de forma a evitar que a escassez continue causando dificuldades e prejuízos às famílias, João Lourenço disse ser necessário regular o comércio nas fronteiras. Esquema antigo,

De acordo ainda com Hamilton de Lemos, o esquema de combustíveis na província é uma prática antiga e que vem enriquecendo muitas pessoas de forma ilícita. Nos últimos dias, explicou, o cenário ganhou corpo devido à escassez de divisas em Angola. A nível das províncias, como o comércio é feito à base de moedas estrangeiras, o esquema aumentou de escala, deixando a província numa verdadeira escassez. “Os responsáveis pelo desvio de combustíveis são os mesmos que comandam a província noutros sectores e serviços. Tudo é deles. A Polícia precisa de fazer o seu trabalho para desmistificar essa rede de criminosos. Prejudicam famílias por causa do orgulho. É preciso responsabilizar essa malta”, defendeu.

 

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