Água para todos em Luanda só depois da conclusão do Bita e Quilonga Grande

A conclusão do projecto de captação e tratamento de água do Bita está avaliada em mais de USD mil milhões. Até ao momento há apenas a garantia de USD 500 milhões do Banco Mundial

A distribuição de água para todos aos habitantes de Luanda só se concretizará depois da conclusão dos novos sistemas de captação e tratamento de água da zona do Bita e da Quilonga Grande, anunciou o director do gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística do Ministério da Energia e Águas (MINEA), José Salgueiro, à margem do 9º Conselho Consultivo da instituição.

Os projectos de água da Quilonga Grande e Bita, cuja de consignação para o arranque das obras teve lugar em 2016, terá a capacidade de produção de seis mil metros cúbicos de água por segundo, cada uma, mas, infelizmente, ainda não teve início. Com o Bita pretende-se reforçar a distribuição de água no Camama, Cabolombo (zona verde), Mundial, Ramiros e no centro de distribuição da Maianga, enquanto Quilonga Grande, com captação no Bom Jesus, reforçaria a distribuição nos Zangos, novo aeroporto, Km 30, zona industrial de Viana, Capalanca e Centralidade do Sequele. José Salgueiro frisou que para sua conclusão são necessários valores a cima de USD mil milhões para o Bita, incluindo a rede de distribuição, tratamento e reserva.

O responsável fez saber que o Banco Mundial deu garantias de USD 500 milhões para o início do projecto do Bita, que deverá, numa primeira fase, bombear três mil metros cúbicos por segundo e os restantes serão implementados por fases. Caso as garantias de financiamento sejam efectuadas, as obras no Bita poderão arrancar no fim deste ano ou no princípio de 2020, de acordo com o responsável.

200 mil ligações domiciliares/ ano

Sobre a energia eléctrica, José Salgueiro explicou que o Executivo traçou como meta para o quinquénio 2017-2022 cerca de um milhão de ligações domiciliares, o que corresponde a 200 mil ligações por ano em todas as províncias do país. Entretanto, a prioridade recai para as províncias de Benguela, Huambo, Huíla, Cabinda, Luanda e algumas do Norte do país que têm disponíveis redes de transporte. José Salgueiro disse que fruto da revisão orçamental, o MINEA tem encontrado dificuldades para cumprir a meta estabelecida, mas garantiu que, no caso particular de Luanda, até ao final deste ano estarão feitas mais de 300 mil ligações. Para além destes projectos, outras 400 mil ligações estão a ser negociadas com o Banco Africano de Investimento e o Banco Mundial. O 9º Conselho Consultivo do MINEA termina hoje e decorre sobre o lema “Água e energia: melhoria do serviço com foco na sustentabilidade”. Participam do certame responsáveis de todo o país do sector das águas e energia.

Energia eléctrica para Namíbia

Sem avançar prazos, José Salgueiro disse que Angola vai fornecer energia eléctrica a República da Namíbia, a partir da linha de ligação Huambo/ Lubango, 400 KW’s, e posteriormente far-se-á a ligação do Lubango para o Changongo, situada a 100 quilómetros da cidade capital da província do Cunene. Haverá sincronia com o Governo da Namíbia mediante uma comissão bilateral criada entre os dois países. Questionado sobre se a energia que será levada para a Namíbia não poderia ser aproveitada para electrificar as zonas de Luanda e das restantes províncias que se encontram às escuras, José Salgueiro respondeu que a energia que o país produz é suficiente. “O que falta são as redes de transporte e de distribuição para aproveitarmos. O grande problema de Luanda, por exemplo, é que não conseguimos electrificar os bairros que cresceram de forma não planificada”, disse. O responsável frisou que a estratégia está virada para futura integração com a região austral na linha que já estava a ser executada por Angola e Namíbia.

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