“Há uma organização clandestina bem montada na EPAL”

A afirmação é do presidente do Conselho de Administração (PCA) da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL), Fernando João Cunha, no 9º Conselho Consultivo do Ministério da Energia e Águas (MINEA) que encerrou ontem, onde disse existirem vários casos desta natureza.

Milton Manaça

Chamado a prestar esclarecimentos pelo secretário de Estado das Águas, Lucrécio Costa, sobre os últimos episódios decorridos na empresa em que o então director para a segurança, Ivan Mateus, foi flagrado pelos microfones da Televisão Pública de Angola a negociar com supostos garimpeiros, Fernando Cunha respondeu que existe uma organização criminosa na EPAL que é preciso desmontar. “Às vezes dissemos que vamos organizar, mas no fundo é lutar contra a organização já implantada. Há uma organização montada e é preciso organizar outra para desmontar esta”, disse, alertando que a empresa vai trabalhar com aqueles que podem e querem dar o seu contributo.

O responsável frisou que, pelos problemas que encontrou na empresa, a sua direcção não vê outra alternativa senão lutar pelo “saneamento” das pessoas (funcionários) com condutas negativas já enraizadas. Advertiu que a estes trabalhadores “a empresa vai dar um destino que eles mesmos prepararam”, acrescentando que de contrário, nunca se poderá registar o crescimento que se almeja para a EPAL, pois está rodeada de muitos casos do género. Visivelmente constrangido com a situação, Fernando Cunha entende que há problemas supostamente estruturais, de projectos com outra índole, mas que, caso seja investigado ao fundo, estão relacionados com o comportamento dos funcionários.

Fernando Cunha disse que chegou à EPAL num momento complicado e sublinhou não se recordar de um Conselho de Administração que tenha sido nomeado e tomado posse num momento de greve. “Resolvemos a greve e agora estamos a lutar para a organização”, disse. No último dia do 9º Conselho Consultivo, no período da manhã, o secretário de Estado Lucrécio Costa lembrou que a EPAL é a maior empresa do sector das águas no país e as suas acções contribuem para a boa ou má imagem do Ministério, razão pela qual solicitou um esclarecimento do caso Ivan Mateus ao PCA Fernando Cunha.

Lucrécio Costa disse também que os problemas da EPAL devem ser colocados num triângulo: insuficiência de infra-estruturas e incapacidade de cobrança, mas lembrou que o problema maior está na organização, porque com estrutura imponente como é a sede da empresa, “mesmo que enterremos mais um milhão de Euros, se tivermos lá um chefe de segurança que tem parceria público-privada com a maracutagem, a EPAL não vai a lado algum”, desabafou.

Comissão de inquérito

A EPAL criou uma comissão de inquérito no dia seguinte ao sucedido tendo, na ocasião, decidido exonerar o então director para a segurança empresarial, Ivan Mateus. A comissão de inquérito está a averiguar denúncias públicas e poderá apresentar os resultados da investigação nos próximos dias, segundo Fernando Cunha. Ivan Mateus, no programa “Na lente”, da TPA, exibido na noite de Quinta-feira, 18, do corrente mês, foi flagrado pelos microfones da TPA a negociar com supostos garimpeiros que se dedicam ao desvio de condutas de água.

Segundo o PCA, além da cessação das funções de director de segurança empresarial, foi dirigida uma carta à Procuradoria Geral da República para que se investigue o que se passa, não apenas com este director da EPAL, mas com os outros trabalhadores que tenham sido denunciados. A EPAL perde diariamente nove milhões de kwanzas em consequência do garimpo de água e desvio de condutas.

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