Marginais instalam terror na escola do Ramiros para vingar morte de amigo

A morte do jovem Monteiro, mais conhecido por Morango, no bairro KM 30 (Ramiros), vítima de uma luta entre grupos rivais, fez com que o grupo que teve a perda fosse ao conhecido PUNIV do Ramiros instaurar o terror, ao ponto de obrigar ao encerramento da escola, na última Sexta-feira

As promessas de vingança estavam na boca dos membros do grupo “Tropa Estragada”, cúpula a que pertencia Morango, o jovem de 20 anos que perdeu a vida no dia 23, ao não resistir aos golpes com catana, faca e blocos, de cimento numa luta entre gangues na qual participou. Tão logo os amigos acompanharam Morango à sua última morada, no Cemitério do Benfica, rumaram ao Distrito urbano do Ramiros, propriamente no ponto com maior concentração de jovens (na escola 2069 – PUNIV) para vingar a morte do amigo.

Este foi o local escolhido pelo grupo Tropa Estragada (do bairro KM 30) por acreditarem existir elementos do grupo rival, ainda não identificado, que estudam naquela instituição de ensino. “Cercaram a escola, agrediram muitos dos nossos colegas, tendo um deles sofrido ferimentos graves na cabeça. Ameaçaram todos, inclusive os professores e diziam que não parariam sem que morresse alguém do Ramiros”, contou-nos Paulo José, um dos estudantes da escola adjacente (2068) ao PUNIV que também sofreu com o pânico instaurado. Aquele estudante disse ainda que muitos dos colegas do PUNIV, bem como os seus professores, viram-se obrigados a abandonar a escola sob pena de sofrerem alguma agressão gratuita.

Alguns pediram para que os taxistas entrassem com as viaturas no pátio da escola para que pudessem sair sem ser alvo das acções dos marginais. O grupo do bairro do KM 30 estava decidido a agredir o maior número de jovens do Ramiros possível, e montou uma base perto da conhecida 2ª paragem da escola, sob a ameaça de assim proceder nos próximos tempos, até que consigam adicionar uma vítima mortal. Por isso, as “provas dos professores” que começam hoje poderão registar uma fraca participação de alunos por causa do medo que se instalou. O primeiro indício de confusão naquela zona registou-se na noite de Quinta-feira, segundo o director da escola 2069, David Distinto, em entrevista ao jornal OPAÍS, um dia antes do funeral. Os membros apareceram a fazer promessas de morte, o que obrigou a que muitos alunos não participassem nas aulas nos últimos tempos e, consequentemente, desertassem a escola.

Polícia e direcção da escola dizem ter a situação controlada

O jornal OPAÍS, no contacto que teve com a directora adjunta do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Polícia Nacional, Superintendente- Chefe Engrácia da Costa, foi informado de que “realmente, houve uma luta entre grupos, de que terão resultado ofensas corporais graves a um elemento que terá acabado por morrer no hospital dias depois. A situação está controlada no momento e não há qualquer alteração da ordem relacionada com este caso, porque as forças estão em estado de alerta para qualquer situação”, disse. A responsável apelou à calma e garantiu que foram ao local equipas com especialistas para reforçar as medidas de segurança, estão a ser realizados encontros com as comunidades na zona para abordar e elucidar os encarregados de educação sobre a conduta dos seus educandos e juntos trabalharem para a prevenção de actos do género.

Alinhou no mesmo diapasão o director da escola nº 2069, David Distinto, dizendo que desde que contactaram a Brigada Escolar a situação estava calma. “Não há nenhum motivo que faça com que as actividades não decorram normalmente, hoje, até porque temos a garantia da Polícia de que está tudo controlado, até porque é hoje que começamos a fazer a avaliação dos professores”, reforçou. O responsável disse ainda que os jovens do KM 30 só foram à escola por ser sítio de concentração de jovens, pois os visados não pertencem àquela instituição. Tentaram a “vingança” com os jovens do Ramiros, mas nesta mesma escola há também estudantes que vivem no próprio KM30 e Benfica. Não têm ainda identificado nenhum aluno que faça parte de tais grupos rivais e a vítima mortal, segundo o director, não estudava na sua instituição.

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