Exposição “Angola Janga visitada por mais de seiscentas pessoas

Contando com os impactantes recursos gráficos das bandas desenhadas, a exposição “Angola Janga” evidencia a contribuição das populações de origem africana para a formação política, económica e sócio-cultural do Brasil, trazendo à reflexão os seus desdobramentos até aos nossos dias

Mais de seiscentas pessoas visitaram a exposição “Angola Janga”, do professor, ilustrador e autor de histórias em quadrinhos brasileiro Marcelo D’Salete, no Centro Cultural Brasil – Angola (CCBA), em Luanda. Os dados foram avançados a OPAÍS pela organização. Entre os visitantes destacam-se alunos do ensino primário, do segundo ciclo, turistas, entre outros, num total de 484 pessoas em menos 30 dias. A mostra, baseada no premiado trabalho de banda desenhada com o mesmo nome, está inserida no Projecto “Brasil em Quadrinhos”, idealizado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em parceria com a Bienal de Quadrinhos de Curitiba.

A colecção, com entrada gratuita, pode ser visitada durante o dia e princípio da noite até 11 de Agosto. Trata-se de um projecto focado no fomento do gosto pela leitura e promoção da literatura em língua portuguesa, utilizando a capacidade das bandas desenhadas, de contar histórias relevantes de forma lúdica e facilmente compreensível por públicos de todas as idades. Contando com os impactantes recursos gráficos das bandas desenhadas, a exposição “Angola Janga” evidencia a contribuição das populações de origem africana para a formação política, económica e sóciocultural do Brasil, trazendo à reflexão os seus desdobramentos até aos nossos dias.

Excepcional trabalho de ficção, fundamentado em profunda pesquisa histórica, “Angola Janga” cristaliza os 11 anos de dedicação do cartunista e professor Marcelo D’Salete, agraciado em 2018 com o prémio Jabuti, um dos mais relevantes do universo editorial brasileiro, na categoria “histórias em quadrinhos” (HQ), denominação da “banda desenhada” no Brasil, com o troféu HQ Mix. “Angola Janga” ou “Pequena Angola” é o codinome do quilombo dos Palmares, principal foco de resistência à escravidão no Brasil colonial. Formado em fins do Século XVI, em Pernambuco, por sucessivas levas de foragidos dos engenhos de açúcar, Palmares constituiu, por mais de 100 anos, um verdadeiro Reino Africano em terras brasileiras, resistindo às forças coloniais portuguesas e holandesas. Assim, a data da morte de Zumbi dos Palmares viria a tornar-se o “Dia Nacional da Consciência Negra”, celebrado anualmente no Brasil.

À margem da exposição, Marcelo D’Salete realizou no último fim-de-semana, no auditório do Centro Cultural Brasil – Angola, uma palestra sobre a criação e desenvolvimento dos livros “Angola Janga” e “Cumbe”, a partir qual abordou e discutiu estratégias de criação de narrativas envolvendo temas diaspóricos e negros nas histórias em quadrinhos. Já em relação ao livro “Cumbe”, Marcelo D’Salete falou da resistência de africanos escravizados contra o sistema de trabalho forçado no período da escravidão, comparticipação essa que acontecia de modo directo, com a acção dos mocambos, e indirectamente por via de pequenas acções de rebeldia do quotidiano nas vilas e fazendas. No que diz respeito ao livro “Angola Janga”, o autor fez uma leitura pessoal sobre os antigos mocambos da Serra da Barriga no Século XVII.

error: Content is protected !!