Seca mata pessoas na província do Cuando Cubango

A denúncia vem da governação local, que já lançou, nesta Segunda-feira (29), o grito de socorro às autoridades centrais e à sociedade civil para uma intervenção urgente

A vice-governadora do Cuando Cubango, Sara Luis Mateus, considerou a situação de seca na região do como sendo de preocupante, tendo revelado o registo de mortes, desde o principio do presente ano. Em declarações à imprensa, apontou as áreas mais recônditas da província como as mais preocupantes, tendo destacado a zona do Licua, onde diz ter sido registada, nesta semana, a morte de uma criança por falta de alimentos. Para ela, “se agora a situação já é preocupante, nos próximos dias poderemos ter mais mortes, caso não haja intervenção rápida”. A dirigente reconheceu o apoio dado pelas autoridades centrais com bens de primeira necessidade, embora considere ser em números muito reduzidos face às necessidades.

“As quantias são exíguas. Precisamos mais ou menos de 1 milhão de toneladas de produtos para acudir às populações neste período, até nà época chuvosa”, disse, para quem as 200 toneladas disponibilizadas pelo Governo foram insuficientes para acudir as 70 mil famílias, nestas condições. Como alternativa, explicou a fonte, a população tem estado a socorrer-se de produtos silvestres no sentido de matar a fome, frutos esses que também estão a secar. Nesta altura, disse estarem a ser seleccionadas aquelas famílias cuja condição é mais crítica, mesmo com os armazéns praticamente vazios. A extensão da província e o mau estado das vias de acesso, com realce para as vias secundárias e terciárias, têm sido o maior handicap para a intervenção das autoridades.

Seca no Sul de Angola atinge um milhão de pessoas

Das províncias mais afectadas pela seca o destaque recai para as do Cunene e da Huíla, onde existem milhares de pessoas a passar fome e há animais a morrer. Os números reais sobre as pessoas afectadas ainda não estão disponíveis, mas as organizações não governamentais que trabalham na assistência às populações calculam haver “mais de um milhão de pessoas que estão a ser afectadas de forma directa”. Entretanto, o Executivo angolano, dirigido pelo Presidente João Lourenço, disponibilizou recentemente 200 milhões de dólares para a construção de três barragens no rio Cunene, na região do Cafu, município de Ombadja, e outras duas no rio Cuvelai, nas zonas do Caluncuve e do Ndue. Essas obras têm por objectivo regular a distribuição de água em várias zonas da província. Os estudos do projecto começaram em meados de 2015 e terminaram em Dezembro de 2018. A obra vai durar 40 meses, segundo revelou o director do Instituto Nacional dos Recursos Hídricos (INRH), Manuel Quintino, numa entrevista recente à imprensa estatal.

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