A história resolverá?

Como era de esperar, esta fase da luta contra a corrupção, em Angola, está a despoletar debates intensos no meio jurídico nacional. Eu, que não sou jurista, lembro- me de ter chamado a atenção, logo no início, para a qualidade das nossas leis e também para a qualidade técnica de juízes e procuradores, nunca acreditei no despertar repentino e mágico de procuradores e juízes só porque tinham tomado a pílula do discurso anti-corrupção. Nem na magia de inteligência instantânea dos advogados. É um tempo para aprender, espero que universidades e o Parlamento estejam a aproveitar para pôr a funcionar os seus laboratórios em busca das melhores soluções, em nome e benefício do povo, do Estado. Houve quem acumulasse capital e património de forma ilícita e ferindo a ética, mas legal. O que fazer? Julgar com a lei que existe, estudar e propor novas leis para que no futuro a malha seja mais apertada. Temos magistrados do Ministério Público que estão, claramente, a meter água, o que fazer? Melhorar a qualidade do ensino e da sua formação. Assim como a formação e os meios para a investigação policial. Temos juízes a abusar da sua posição. O que fazer? Melhor escola, e melhores mecanismos de prevenção e fiscalização. O poder político faz a sua parte, chama a atenção para o assunto, assume que existe, diz querer erradicar a corrupção, mas tem também de assumir duas coisas: treinar melhor as suas “tropas” e preparar-se para lidar com os danos que lhe podem causar estas tropas. Não se pode cometer erros esperando que depois a história resolva. Até porque a história dos políticos se faz por ciclos eleitorais.

error: Content is protected !!