Alunos obrigados a comprar combustível para gerador que funciona “a meio gás”

Os alunos do Complexo Escolar Nº 2, localizado no bairro do Nambambe, nos arredores da cidade do Lubango, província da Huíla, estão a ser obrigados a comprar combustível para abastecer um gerador do estabelecimento que “não funciona” na sua plenitude

POR: João Katumbela

Depois de, há um ano, os encarregados de educação terem denunciado o antigo director do Complexo Escolar Nº 2, do bairro do Nambambe, que estava a exigir o pagamento de comparticipações no acto de confirmação de matrículas, os alunos do mesmo estabelecimento de ensino acusam a actual direcção de estar a obrigá-los a comprar combustível para o gerador como garantia de aulas no período nocturno. Segundo os alunos que falaram a OPAÍS na noite desta Segunda-feira (29), cada um contribuiu com 100Kz para aquisição de gasolina, para o gerador que só é ligado segundo o entendimento do chefe de turno.

No momento da nossa reportagem, às 18h35m, uma dezena de alunos estava no portão do complexo escolar prestes a regressar às suas casas. “Não temos energia eléctrica, nenhum professor apareceu, mas nós somos obrigados a comprar combustível para o gerador e até mesmo a pagar a manutenção do sistema de iluminação da escola”, disse, Gaspar Adão, aluno da 8ª Classe. Questionados sobre a comunicação entre o chefe do turno da noite e os delegados de turma, os estudantes do I Ciclo do complexo disseram que sempre que tal facto acontece, o responsável do turno está fora da instituição e fica difícil ser encontrado.

Os alunos perdem aulas, numa altura em que se avizinham as provas. Os estudantes do período nocturno afirmam que durante o primeiro trimestre do presente ano lectivo houve vezes em que passaram uma semana sem aulas, por falta de energia. “Nós temos o nosso gerador aqui dentro, mas está trancado no Gabinete do Director (chefe de turno) que não veio, e dentro de poucos dias começam as provas”, mostrou-se preocupado Lino, outro estudante, da 9ª classe.

Direcção da escola nega acusações

A nossa reportagem contactou a Direcção do Complexo Escolar Nº 2 e a directora pedagógica, Ana Joice Vapor, disse que estas afirmações dos alunos não correspondem à verdade, uma vez que não há nenhuma orientação para o efeito. Até ao momento a escola não possuía um gerador, segundo a responsável, no entanto, a alimentação do gerador e a manutenção do sistema eléctrico sai do caixa da escola. “Durante alguns dias, o gerador não estava aqui, não baixamos orientação alguma acerca disso, e quando não há energia nós pegamos na comparticipação de toda a escola para responder às necessidades”, afirmou.

Questionado o destino das comparticipações

Entretanto, face a estas obrigações a que estão sujeitos os estudantes no que toca à aquisição de combustível para o funcionamento do gerador no período nocturno, os mesmos acrescentam que este, não é o único problema. Um dos problemas para alguns dos alunos que se preparam para o ingresso ao II Ciclo prende-se com a venda das folhas de provas, bem como os respectivos enunciados. Cada folha, segundo contam, é comprada na secretaria da escola no valor de 25 Kz. Para estes, não faz qualquer sentido estas vendas das folhas pela direcção da escola, uma vez que os seus encarregados já pagam as comparticipações. Segundo apurou a nossa equipa de reportagem, junto dos estudantes, cada encarregado paga por trimestre 3.000 Kz.

Sobre este assunto, a directora, contactada pelo nosso jornal disse que as comparticipações servem para a aquisição dos materiais que se encontram cabimentados no orçamento da escola. “As comparticipações servem para aquisição de algum material de uso corrente, como folhas para as provas, água no tanque, construção de mais salas de aulas caso seja possível. Tudo que não vem no orçamento”, esclareceu. Relativamente à venda de folhas para a realização das provas, Ana Joice Vapor adiantou que nenhum aluno comprou folhas de provas durante o 1º trimestre, e vai ser assim, até no próximo trimestre.

error: Content is protected !!