PNUD doa 1,7 milhões de dólares para criação de área de conservação marinha

O especialista para o ambiente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Goetz Schroth, revelou ontem, em Luanda, que o orçamento global do projecto para a primeira área de conservação marinha é de 1,7 milhões de dólares

O Ministério do Ambiente, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), fez ontem o lançamento do projecto “Criação de Áreas de Conservação Marinha”, cuja primeira região no país comporta o Parque Nacional do Iona, entre a Baía dos Tigres e a cidade do Tômbua, no Namibe. O especialista do programa do Fundo Global para o Ambiente (GEF), do PNUD, Goetz Schroth, afirmou que o orçamento global do projecto é de 1,7 milhões de dólares, doados pela sua instituição, e será implementado num período de 4 anos. O parque marinho vai contar com uma equipa de gestão, fiscalizadores e monitoria, e servirá para a criação de outras espécies para além dsa marinhas.

Para ajudar no desenvolvimento do local a ser abrangido pelo projecto, no local serão também reservadas áreas de reprodução do recursos pesqueiros, importante para a sustentabilidade da actividade pesqueira, por ser actividade que atrai turistas. O administrador do Tômbwa, Alexandre Niyúka, disse que é uma mais-valia para o seu município a implementação da primeira área de conservação marinha, considerando que tem uma vasta costa com mais de 200 quilómetros de extensão e com diversidade de espécies marinhas e exóticas. Há zonas onde se encontram tartarugas que precisam de conservação, sobretudo na confluência do rio Cunene com o mar, exactamente na zona Sul do município. Por agora, apela à necessidade da interdisciplinaridade entre os diferentes sectores. “Para o êxito do projecto, acredito que também há necessidade de o Ministério do Turismo abraçar o programa, tendo em conta a intensa actividade turística que se regista nesta zona. Muitos dos supostos turistas dirigem-se ao local com o objectivo de caçar algumas espécies marinhas”, denunciou Alexandre Niyúka.

Conservar o património marítimo

Por seu turno, o representante do PNUD, Keita Sugimoto, afirmou que a criação de áreas de protecção marinha é essencial para conservar o património marítimo e o país tem umas das maiores diversidades em termos de ecossistemas aquáticos. “Muito ainda resta para ser descoberto e descrito em termos de biodiversidade costeira e marinha em Angola”, disse, tendo ressaltado a importância destes recursos para o equilíbrio ecológico e económico, bem como para o desenvolvimento social e a necessidade da partilha igualitária dos benefícios. Lamentou o facto de no país não ter sido criada nenhuma área de conservação antes, apesar da importância dos recursos marinhos para a economia.

Salienta a importância do projecto e alerta que terá o desenvolvimento esperado se todos os actores-chave do sector participarem e conservarem a biodiversidade. O representante da ministra do Ambiente, Soki Kuedikuenda, na sua intervenção, lembrou que em 2004 foi feito um diagnóstico sobre as áreas de conservação, e constatou-se que a situação dos parques Nacionais, na época, era alarmante, sobretudo no que diz respeito às infra-estruturas. Por isso, a conservação da biodiversidade é uma das metas e acções prioritárias. O projecto prevê a criação da 1ª Área de Conservação Marinha e mais três terrestres, designadamente Serra do Pingano, Morro do Moco e a Floresta da Cumbira.

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