PR admite agravamento do desemprego nos últimos três anos

O Presidente da República, João Lourenço, atribui o quadro negativo da empregabilidade à recessão económica e reafirmou, para melhorar, a redução da forte presença do Estado na economia nacional, deixando que o sector privado exerça o seu real papel

O Presidente da Republica começou por considerar ‘crucial’ a redução da forte presença do Estado angolano no sector da economia, com vista a melhorar os níveis de crescimento económico, permitindo a criação de mais postos de trabalho, sobretudo para a juventude. O Chefe de Estado angolano, que discursava para a classe empresarial, ontem, em Luanda, reconheceu ter chegado o momento de devolver ao empresariado o seu real papel de actor principal do desenvolvimento, usurpado por questões políticas. “As actuais políticas traçadas, com o programa de privatizações já anunciado, o Executivo dá um sinal muito claro da intenção de o Estado reduzir consideravelmente sua forte presença na economia”, sublinhou.

João Lourenço admitiu, por outro lado, como consequência deste quadro associado à recessão económica, a subida da taxa de desemprego nos últimos 3 anos. Na sua visão, este problema, para além das obrigações das autoridades governamentais, deve também constituir motivo de preocupação de toda a sociedade, e a melhoria passa pelo aumento do investimento na economia, com destaque para o sector privado. “Só com o aumento do investimento poderemos voltar a crescer do ponto de vista económico. Poderemos criar mais postos de trabalho e proporcionar aos angolanos, em particular à nossa juventude, melhores rendimentos e, por esta via, aumentar o seu bem-estar e das suas famílias”, disse o Presidente Lourenço.

O Chefe de Estado encorajou os empresários a ocuparem convenientemente o seu espaço usurpado, por razões de conjuntura política, fazendo proliferar pelo país um grande número de micro, pequenas e médias empresas, tornando realidade a diversificação da nossa economia. Doravante, acrescentou o Titular do Poder Executivo, o papel do Estado será apenas de coordenar e regular o desenvolvimento económico, sendo outras atribuições adjudicadas ao sector privado enquanto motor do crescimento económico. Neste sentido, exortou a classe empresarial a estabelecer parcerias com empresas tecnologicamente mais avançadas, portadoras de know-how e que facilitem o acesso ao mercado internacional.

Incentivos ao sector industrial

Sobre o desenvolvimento do sector industrial, o governante entende que estão em curso algumas condições estruturais para que se revitalize, tendo destacado, o aumento da oferta de energia e água ao país, sobretudo após a interligação através das redes de transportação dos sistemas eléctricos do Norte ao Centro do país. Ainda no âmbito da criação de condições para atrair o investimento privado, o Presidente da República ressaltou a tomada de medidas no domínio fiscal, cambial, migratório e medidas de apoio à produção nacional. O apoio do acesso ao crédito, entre outros, também é visto pelas autoridades como medida que possa tornar mais atractivas as condições para o investimento dos empresários nacionais e estrangeiros. “Apesar das dificuldades que as nossas empresas enfrentam”, reconheceu o Chefe de Estado, “verificamos um interesse crescente dos nossos empresários em participar nessas iniciativas do Executivo para alterar o quadro que vivemos”. João Lourenço classificou o encontro encontro com a classe empresarial como sendo um testemunho do renovado interesse de concertação e de cooperação entre os empresários e o Executivo para juntos mudarem a situação actual. “Trabalhemos de mãos dadas para tirar a nossa economia da crise em que ainda se encontra, para retomar o crescimento económico em bases mais sustentadas e diversificadas”, ressaltou.

Constrangimentos da actividade privada

No âmbito da remoção dos constrangimentos que se colocam ao desenvolvimento da actividade privada no país, e por considerar ser “um fardo enorme” que é imposto aos empresários, o governante diz ter tomado medidas contra a corrupção e a impunidade. O Presidente João Lourenço considerou estes fenómenos como principais factores de distorção dos princípios básicos da transparência e da justiça, desvalorizando as regras de concorrência. “Construamos uma sociedade onde os bens, serviços e recursos gerados pelas empresas sirvam realmente a economia, pois queremos empresários e empresas que criem realmente riqueza e emprego”, disse o Chefe de Estado, para quem as medidas tendentes a combater a concorrência desleal e o branqueamento de capitais fazem parte das prioridades. Quanto ao repatriamento de capitais e recuperação de activos através da “perda alargada de bens”, disse ser um processo em curso, cujos resultados passarão a ser periodicamente dados a conhecer à sociedade pelas instâncias competentes. O Presidente da República fez ainda uma singela homenagem aos empresários pela sua resiliência, por manterm-se activos durante todos estes anos, enfrentando a difícil crise de valores e as enormes dificuldades causadas pela profunda crise económica e financeira que o país ainda vive.

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