Research Atlantico: As novas perspectivas de crescimento mundial para 2019

A redução da procura externa nas economias avançadas continua a pressionar e adiar as perspectivas de investimento

A economia mundial deverá crescer 3,2% em 2019. As projecções constam no World Economic Outlook Update, de Julho, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e representa uma revisão em baixa de 0,1 p.p. face às estimativas do World Economic Outlook (WEO) de Abril último. O desempenho, segundo a instituição, continua a ser penalizado pelas incertezas associadas às tensões geopolíticas, comerciais, e tecnológicas, tal como, à possibilidade de efectivação do Brexit, a 31 de Outubro de 2019, sem um acordo com a União Europeia.

Com efeito, o FMI estima que as trocas comerciais de bens e serviços cresçam 2,5% em 2019 que compara com o nível de 3,7% registado em 2018, sendo que a maior redução deverá ser apurada entre as economias emergentes ao crescerem 2,9%, uma redução de 1,4 p.p. face às estimativas de Abril, enquanto entre as economias avançadas o incremento deverá fixar-se em 2,2%, menos 0,6 p.p. face as estimativas anteriores. A redução da procura externa nas economias avançadas continua a pressionar e adiar as perspectivas de investimento, em virtude da alta correlação existente entre o comércio e o investimento.

Assim, as economias avançadas deverão crescer de forma agregada em 1,9%, que compara com os 2,2% de 2018. Os Estados Unidos da América (EUA) poderá registar uma taxa de crescimento de 2,6%, que apesar de liderar o crescimento entre as economias avançadas, representa uma desaceleração de 0,3 p.p. face ao ano anterior. Consequentemente, em virtude dos riscos percebidos, os principais bancos centrais começam a dar indicações de alteração das medidas de política monetária de normalização para mais acomodatícias como, por exemplo, o Banco Central Europeu (BCE) a dar indicações para a próxima reunião de Setembro, a possibilidade de restabelecer o plano de compra de activos de modos a sustentar o alcance das taxas de inflação perto de 2% e estimular o consumo e investimento interno.

Paralelamente, a Reserva Federal dos EUA perspectiva reduzir a taxa de juro de referência para o intervalo de 2% – 2,25%, dos actuais 2,25% – 2,50%. As perspectivas do BCE são corroboradas pelas estimativas do FMI que estimam que a taxa de crescimento do Bloco Europeu se mantenha constante em relação as projecções previstas no WEO de Abril, isto é, cerca de 1,3%. Destaca-se que o nível previsto representa uma desaceleração de 0,6 p.p. face ao desempenho da economia em 2018, o que poderá ser justificado pela desaceleração da maior economia do bloco, a Alemanha, que registou revisão em baixa do crescimento económico, em 0,1 p.p., para 0,7%, que contrasta com os 1,4% do ano anterior. A mesma tendência deverá ser registada na economia do Japão.

A economia nipónica deverá crescer 0,9%, uma revisão em baixa de 0,1 p.p., face às estimativas anteriores, porém uma ligeira aceleração em relação a taxa de 0,8% apurada em 2018. Por seu turno, o FMI perspectiva que o Reino Unido cresça mais 0,1 p.p. face às estimativas anteriores ao fixar as projecções em 1,3%. O processo de efectivação do Brexit – agora liderado pelo novo Primeiro-Ministro, Boris Jonhson, poderá ganhar um impulso e obrigar a introdução de medidas de ajustamento monetário e fiscal de modos a suportar uma potencial saída sem um acordo com a União Europeia. À semelhança, as economias emergentes deverão crescer 4,1% uma desaceleração de 0,4 p.p., face aos níveis de 2018 e menos 0,3 p.p. face às estimativas (WEO) de Abril. O destaque recai para as perspectivas da Índia que deverá recuar 0,3 p.p., para 7%, sendo apontados a redução da procura interna como determinante na moderação da perspectiva de crescimento do país.

Por outro lado, a China deverá crescer 6,2% uma revisão em baixa de 0,1 p.p., reflexo, fundamentalmente, das tensões comerciais com os EUA. O relatório do FMI sustenta que a introdução de mecanismos de estímulo económico na segunda maior economia do globo não deverão evitar que a economia desacelere no ano corrente. Paralelamente, a instituição de Bretton Woods aponta que o crescimento agregado das economias da África Subsariana deverá fixar-se em 3,4%, que compara com os 3,5% previstos em Abril último, porém acima dos 3,1% de 2018. O crescimento da região continua a depender da evolução dos preços das commodities, sendo que, as tensões comerciais estão a pesar na capacidade dos países de obter financiamentos externos. Assim, entre as grandes economias da região, a Nigéria viu as suas perspectivas de crescimento revistas em alta de 0,2 p.p. para 2,3%, enquanto a perspectiva da economia da África do Sul foi reduzida de 0,5 p.p. para 0,7%. As incertezas deverão permanecer, aponta o FMI, enquanto os países não se dispuserem a uma maior cooperação que conduza a resolução das tensões comerciais, tecnológicas, o combate à corrupção, as questões de ciber-segurança e das alterações climáticas.

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