Agravamento das dificuldades sociais reduz popularidade de João Lourenço, afirma organização internacional

Segundo a organização internacional Friends Of Angola (FOA), apesar de algumas mudanças quanto à relativa abertura da imprensa e à responsabilização criminal de algumas figuras do poder, que consideram selectiva, estas pequenas mudanças não tiveram impacto directos na vida das populações

Por:Domingos Bento

O director da organização internacional Friends Of Angola (FOA), Rafael Moraes, afirmou que, nos últimos tempos, face às dificuldades sociais que as famílias enfrentam, a popularidade do Presidente da Republica, João Lourenço, tem vindo a reduzir de forma drástica, pelo que alerta a mudança de paradigma e a conjugação do discurso à prática para se inverter o quadro.

Segundo Rafael Moraes, o amento do preço dos produtos básicos e a ainda a reinante dificuldades de acesso aos cuidados primários de saúde e de educação contribuíram para redução da popularidade de João Lourenço, que pode ver os seus votos reduzidos caso venha a se recandidatar nas próximas eleições de 2022.

Apesar de algumas mudanças no que toca à relativa abertura da imprensa e a responsabilização criminal de algumas figura do poder, embora de forma selectiva, Rafael Moraes disse que estas pequenas mudanças não tiveram impacto directos na vida das populações. Esta situação vem causando, há já algum tempo, um desgosto ao actual Executivo que continua a adiar a resolução dos problemas básicos da grande maioria dos angolanos.

“Não vemos alguma evolução a nível social, antes pelo contrário, continuam os problemas. Há uma tendência de aumentar os problemas sociais dos cidadãos. Continuamos a ver muitas crianças fora do sistema de ensino, problemas sérios com a distribuição de água e energia. Vemos ainda a subida de preços dos produtos de primeira necessidade.

É um sofrimePara o director da FOA, João Lourenço, nos primeiros dias da sua governação, demonstrou ser um homem corajoso pela forma como enfrentou o seu próprio partido no que toca à luta contra a corrupção, tendo o seu discurso, durante as eleições, proporcionado um nível grande de popularidade e aceitação.

“Até a própria oposição aderiu positivamente aos seus discursos. Mas, muitos analistas acreditaram ser uma luta impossível do ponto de vista prático, por ser uma epidemia criada pelo seu próprio partido e isso vai se tornando perigoso para si mesmo, uma vez que se presume ter criado inimigos internos”, disse. Apesar de só estar ainda a cumprir o seu segundo ano de mandato na Presidência da República, Rafael Moraes afirmou que João Lourenço ainda está longe de executar o que prometeu, a julgar pelo aumento cada vez mais das dificuldades.

“No que toca à corrupção, notase que ela é efectivamente selectiva, porque acreditamos que, se colocado em prática de facto, vai arrastar para a cadeia todos os que conduziram e que ainda conduzem este Estado ao abismo. Portanto, achamos que o Presidente deve ser mais pragmático para conjugar o discurso à prática.

É por isso que nos últimos dias constata-se a diminuição da sua popularidade sobretudo nas classes baixa e média”, apontou. Impostos não vão retirar o país da conjuntura O país enfrenta uma crise financeira devido à diminuição do preço do barril de petróleo no mercado internacional. Porém, no entender de Rafael Moraes, não é com a subida dos impostos, como é o caso da recente subida da tarifa da energia e a possível entrada em cena do IVA, que se vai melhorar ou tirar o país da actual conjuntura económica.

“Angola, sendo um país rico em recursos minerais e não só, tem tudo a seu favor para se desenvolver. Porém, a má gestão dos resultados provenientes destes recursos faz com que mergulhemos nesta crise”, notou.

O ouvir mais é a saída Para o activista politico, João Lourenço faz bem quando dá um sinal que está interessado em ouvir os diferentes actores da vida social e politica. Esse exercício, no seu entender, deve continuar caso o Presidente queira de facto resolver os problemas dos cidadãos. Segundo Rafael Moraes, João Lourenço deve contínua a andar pelas comunidades mais desfavorecidas e ouvir as suas preocupações para que se encontre, o mais rápido possível, as devidas soluções.

“Em relação às viagens ao interior do país, consideramos positiva, uma vez que leva a constatar a implementação das políticas traçadas pelo seu Governo. Receber relatórios e avaliar, a partir do seu gabinete ou através de entrevistas forjadas, não ajuda na melhoria das condições de vida das populações”, concluiu.

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