Bolsonaro não é bem-vindo a Portugal, diz partido político

Federal deputy Jair Bolsonaro of the Party for Socialism and Liberation (PSL), a pre-candidate for Brazil's presidential election, attends a debate at the Industry Confederation event in Brasilia, Brazil July 4, 2018. REUTERS/Adriano Machado

O Bloco de esquerda, partido político que compõe a coligação do actual governo de Portugal, classificou a possível visita de Jair Bolsonaro ao país como “inaceitável”. A declaração faz parte de uma nota, divulgada nesta quinta-feira (1), na qual o partido também afirma que o presidente do Brasil “não é bem-vindo a Portugal

Para a deputada Joana Mortágua, membro da comissão política do Bloco de Esquerda, Jair Bolsonaro actua de forma anti-democrática. “Nós tivemos notícia de que estaria em preparação uma visita oficial do presidente do Brasil.

O que nós esperamos é que o Bolsonaro não é bem-vindo a Portugal, diz partido político Governo de Portugal deixe bem claro que há declarações que não são aceitáveis por parte de chefes de Estado de países democráticos”, afirma a deputada à Sputnik Brasil. Uma das possibilidades para a visita de Jair Bolsonaro a Portugal seria durante a cúpula entre os governos dos dois países, que pode ocorrer no início de 2020.

Em declarações à imprensa depois da divulgação da nota, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, afirmou que a visita do previsão sidente brasileiro ainda não está confirmada. “Eu não consigo cancelar viagens que não estão programadas.

É muito provável que em 2020 possa ocorrer finalmente a cimeira entre Portugal e Brasil, que está pendente há anos, e como a tradição é que as cimeiras se realizem alternadamente, a próxima será em Portugal”, disse o ministro. Para a deputada Joana Mortágua, “Portugal é um país democrático e não pode esconder embaixo do tapete aquilo que sabe sobre o presidente Bolsonaro na altura em que o receber. Para nós é muito difícil justificar que se recebam com honras de Estado presidentes que, por mera diversão política, fazem pouco e provocam pessoas com o sofrimento de vítimas da ditadura.

Demonstra uma incapacidade de sentir valores básicos da humanidade e demonstra também, do ponto de vista político, uma afinidade com a violência da ditadura, que é inaceitável para um presidente do mundo democrático”. Ainda na nota, o partido condena Jair Bolsonaro pelas declarações sobre a morte de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, que desapareceu durante o período da ditadura.

“O Bloco de Esquerda recorda ainda que este é apenas o episódio mais recente, envolvendo um governo que tem sido marcado pelo desrespeito às comunidades indígenas, pelo aumento descomunal do desmatamento da Amazônia, pelos ataques à Educação e aos direitos dos trabalhadores”, lê-se no texto. Cyntia de Paula, presidente da Casa do Brasil de Lisboa, entidade não-governamental e sem fins lucrativos que actua na assistência à comunidade imigrante, considera que o governo português precisa se posicionar.

“Toda a política que tem sido implementada pelo governo Bolsonaro vai contra a nossa missão. A Casa trabalha pela garantia dos direitos humanos, pelas pessoas migrantes, minorias, pela igualdade de género. A vinda dele ou não a Portugal acreditamos que é uma decisão de governo, que nos ultrapassa, o que queremos é que o governo de Portugal questione tudo o que está errado e que não aceite um governo anti-democrático”, afirma Cyntia à Sputnik Brasil.

As cimeiras entre os chefes de governo de Brasil e Portugal acontecem desde 1991. A mais recente foi realizada em Brasília, em Novembro de 2016. O encontro de 2018 estava marcado para Janeiro, mas foi cancelado a pedido do então presidente Michel Temer. Portugal não considerou viável reagendar para 2019, por ser ano de eleições legislativas no país. Agora, os dois governos se articulam para que o encontro seja realizado em Portugal, em Janeiro de 2020.

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