Deputado diz que “forças externas” tentam instabilizar a UNITA

O secretário provincial da UNiTA em Benguela, deputado Alberto Ngalanelã, aventou Terça-feira, 29, a possibilidade de haver aquilo a que chama de “forças externas” interessadas em causar instabilidade e cisões no seio do partido, à semelhança do que ocorre em outras formações políticas

Por:Constantino Eduardo, em Benguela

Alberto Ngalanelã, que fala em coesão política, desmente informações segundo as quais o presidente Isaías Samakuva manifestara interesse de se recandidatar, na reunião ocorrida a 22 de Julho do corrente, avançando que, para quem tenha a pretensão de instabilizar o partido, a UNITA guia-se por princípios firmes, daí que vocábulos como “cisões” não façam parte da gramática partidária daquela formação política, para quem o galo negro vai encontrar o melhor caminho para manter estrutura coesa, dada às responsabilidades que tem no panorama político de Angola. Na referida reunião, segundo avança, em momento nenhum o presidente do Galo Negro avançou a intenção de se recandidatar, porquanto o assunto não figurou da agenda do encontro, mas abordouse, fundamentalmente, questões relacionadas com o XIII congresso.

“Toda a esperança da maior parte do povo angolano está depositada na UNITA”, realça.

Face ao ocorrido, aos que terão municiado os órgãos de comunicação social, com destaque para o Jornal de Angola, com informações da “recandidatura”, Ngalanelã chama- os de “pessoas de má-fé”, por estarem interessadas em instalar o caos político:

“Deviam ter contactado o porta-voz (Alcides Sakala) para, antes de estamparem a notícia, confirmar aquilo que terão sido as especulações que vieram desta reunião”, considera. “Para tranquilizar a todos, a UNITA tem um calendário e tem uma fase de candidaturas, de 16 a 30 de Setembro, e daí vão se dissipar todas essas dúvidas.

É um não assunto, porque não se tratou”, esclarece. O deputado à Assembleia Nacional considera importante que se trabalhe, no sentido de evitar que se criem cisões à volta de um congresso que se quer democrático.

“Algumas vozes de fora procuram encontrar um espaço e muitos, se calhar, com a situação em que o MPLA se encontra, também querem que a UNITA entre numa instabilidade, o que não vai acontecer. Entre os vários candidatos que vão perfilar, só um é que vai ganhar as eleições”, garante.

Samakuva: um potencial candidato a PR

Embora paire ainda incerteza em relação ao futuro de Samakuva no seio do seu partido, é, porém, dado adquirido que o político voltará a ser candidato a Presidente da República em 2022. Em declarações ao jornal português Público, Isaías Samakuva, líder da UNITA desde 2003, admitiu voltar a ser candidato às eleições em 2022, se os estatutos da UNITA forem alterados no XIII Congresso Ordinário do partido, que se realiza de 13 a 15 de Novembro, permitindo a realização de um congresso extraordinário para a escolha do candidato do partido à Presidência da República.

Segundo fontes da UNITA contactadas por este jornal, se o presidente influenciar a alteração dos estatutos, compararse- á àqueles líderes africanos que mudam os instrumentos – constitucional, legal e estatutário -para favorecê-lo: “Não nos esqueçamos que, em 2016, o presidente disse que abandonaria a vida política activa este ano”, lembra.

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