Índice de prostituição preocupa munícipes do Soyo

São vários os problemas que afectam os munícipes do Soyo. A população manifestou-se preocupada com o aumento do índice de prostituição, que se regista em determinados locais do município, principalmente no período nocturno e, maioritariamente, por cidadãs congolesas

Alguns moradores da cidade do Soyo manifestaram- se preocupados com o aumento do índice de prostituição que se regista em determinados locais dessa cidade, sobretudo no período nocturno. A cidade, que parece calma, tem estado a se transformar em local de prostituição por parte de cidadãs congolesas e não só. A equipa de reportagem deste jornal constatou que até menores de idade entram no negócio, com pretextos de estarem a prostituir-se por falta de emprego no município. Ao serem abordadas pela reportagem deste jornal, algumas delas alegaram que fazem essa prática porque não têm onde tirar dinheiro para sustentar as suas famílias. Ana da Conceição, nome fictício, de apenas 17 anos, mas com corpo robusto, disse mentir aos clientes em relação à idade, por medo de não ser aceite, mas está neste mundo da prostituição há dois anos, ou seja, desde os seus 15 anos que se vende o corpo. “Eu estou aqui a fazer este trabalho desde 2015, e só faço isto porque não tenho onde tirar dinheiro para sustentar o meu filho, cujo pai fugiu e nem sei se anda aonde. Abandonou-me quando estava com dois meses de gestação. Todos os dias preciso ter dinheiro para esse fim”, disse.

“O que me levou a chegar ao Soyo é falta de condições”

Por sua vez, Deborah Saraiva, também nome fictício, de 26 anos, proveniente da República Democrática do Congo, explicou que o que a levou a emigrar foi a falta de condições que tinha no seu país de origem.

A procura de emprego e melhores condições levou-a a essa vida que diz não gostar, masnão encontra outra solução. “Eu não estou nesta vida há muitos anos, comecei agora, e a primeira vez que experimentei me senti mal, mas depois acostumeime. Faço isto porque não tenho emprego”, disse, acrescentando que “o que me levou a vir para o Soyo foi a procura de uma oportunidade, mas não encontrei”. “Este é o caminho que encontrei até ao momento para poder ter dinheiro e enviar para a minha família”, acrescentou. A jovem explicou ainda que trabalha todos os dias, mas aos sábados e domingos e, às vezes nos feriados, são os dias que mais faz dinheiro.

O mesmo ocorre quando há alguma festividade na cidade, altura em que os turistas que ali passam procuram alguma diversão. A jovem contou também que trabalha com alguns hotéis e pensões da cidade. E sempre que chegam clientes novos é chamada para fazer o seu trabalho. E tem tidpo resultados, segundo ela. Uma outra cidadã congolesa, Marina Ndongolo, que também pratica a mesma profissão, explicou que, às vezes, não encontram opção para sustentar as famílias e muitas delas preferem fugir da sua terra natal para tentar em outros locais. “Escolhemos o Soyo por ser mais próximo e bem organizado. Tem mais empresas e é fácil de conseguir clientes para esta prática, devido às empresas petrolíferas e turistas que aqui passam”, contou.

A prostituição infantil deve ser vista como um problema de Saúde pública

Alexandre Bendita, jovem de 35 anos, têm-se confrontado com um elevado número de prostitutas na cidade e que deviam ser recolhidas e encaminhadas para uma secção de aconselhamento, porque essas práticas podem causar muitas outras doenças. Na sua opinião, a prostituição infantil deve ser vista como um problema de saúde pública, porque as suas consequências afectam o desenvolvimento e crescimento físico, mental e social das crianças e adolescentes e essas jovens deviam ser obrigadas a mostrar um documento que provesse que são maiores de idades. Os casos de prostituição de menores ocorrem com maior incidência em hotéis, restaurantes, discotecas e cabarés e na calada da noite. “A maioria das jovens que praticam esta acção, no Soyo, é provenientes da República Democrática do Congo. Aqui como tem muitos estrangeiros a trabalhar, por causa do petróleo, elas pensam que também têm muito dinheiro. Realmente já vivemos bons tem mou conta de nós e a situação mudou”, disse. Alexandre Bendita explica que é difícil identificar uma única causa para este mal, mais é consensual que a pobreza, a má educação e o desemprego dos jovens levam à prostituição, por serem apontados como um forte estímulo desta prática, mas, ainda assim, os factores indicados não justificam de todo os altos níveis de prostituição no Soyo. “Todos sabemos que a prostituição é um tema polémico e uma das mais antigas profissões e não podemos ignorar que é uma realidade dos nossos dias. Se não pusermos o pé, esse mal nunca vai terminar.

“Muitos desses cidadãos emigram para Angola e um dos pontos mais próximos é o município do Soyo”

Falando, exclusivamente, a oPAÍS, o administrador municipal adjunto do Soyo para a área Politica e Social, José Suca, admitiu que a inquietação dos munícipes tem razão de ser, uma vez que a prostituição é um facto real. Segundo o responsável, tudo isso deriva de varias situações. Primeiro da falta de emprego que assola a juventude e depois da situação social que vive a nossa vizinha república democrática do Congo. “Muitos dos cidadãos desse país são obrigados a emigrar para Angola e um dos pontos mais próximos a que têm acesso é o município do Soyo. Mas essa situação está ligada à falta de emprego, porque ainda que o estrangeiro viesse para aqui e encontrasse um emprego, acredito que não havia de enveredar para a prostituição”, afirmou. de acordo com o responsável, tudo está ligado ao momento que o país vive. Como não há emprego, muitas jovens acham que esse é o caminho que devem escolher e acham ser o mais fácil., realçando que tudo isso tem muito a ver com a educação que os familiares transmitem aos seus filhos. “Toda a pessoa ou menina que pertence a uma família com princípios básicos e correctos, penso que, ainda que esteja a viver uma fase difícil ou não tenha emprego, poderá fazer um outro tipo de negócio e não partir por essa via, que não é a mais correcta e ainda correndo o risco de contrair doença”, explicou. o responsável aproveitou para dizer que a criminalidade reduziu bastante no município do Soyo, como nos anos anteriores, tanto é que já não se registam muitos casos de roubos ou outros tipos de criminalidade, como agressões, podendo o cidadão circular a qualquer hora do dia. o Soyo é um município localizado no extremo noroeste da província do Zaire e possui 227 mil e 175 habitantes, distribuídos em seis comunas: Sede, Mangue Grande, Sumba, Quêlo e Pedra de Feitiço.

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