Safa-te

O que se sente nas estradas angolanas quando se viaja à noite, a sós ou em caravana, é mesmo uma espécie de safa-te, um recado não sei de quem. O céu é escuro, as estradas mal têm as margens sinalizadas, não há guias refl ectores, mas há buracos que nascem todos os dias. Ainda bem que os turistas mais mediatizados do mundo vieram pela linha férrea, ao menos aí não há buracos e tiveram um tal tapete vermelho que por instantes mandou-se a economia e a bida das pessoas às urtigas. Curiosamente, estes famosos turistas não nos foram ditos os seus nomes, o que fazem e nem quanto gastaram em Angola. Eu continuo a suspeitar que ainda fi camos no prejuízo fi nanceiro, aliás, há décadas que as autoridades nos dizem números sobre turistas com os quais, no fi m das contas, o país só gasta dinheiro e quase nada arrecada. Voltando às estradas, custa alguma coisa sinalizar, custa abrir espaços de descanso nas bermas separados por uns quarenta quilómetros, por exemplo? E a Polícia não deveria circular de tempos em tempos só para patrulhar? Não falemos de albergues à beirada estrada e nem de telefones para as urgências. Até porque daquilo que as autoridades se lembram é de colocar lombas (quebra-molas) em plenas estradas nacionais, sem sinalização, escuras como a noite. E se há um acidente, o azarado que se safe, porque bombeiros, socorristas e coisas destas, bem, só mesmo nas capitais provinciais e em alguns municípios.

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