Construções erguidas próximo dos poços de petróleos preocupam administração do Soyo

Centenas de pessoas que residem na periferia da zona de exploração de petróleo correm perigo, devido aos constantes derrames deste produto. Segundo constatações feitas por este jornal, muitos são os munícipes do Soyo, província do Zaire, que insistem em construir nessas zonas, apesar do risco

A equipa de reportagem do Jornal OPAÍS constatou que muitas são as residências que foram construídas em locais de risco e ainda ao lado de poços de petróleo. Por esse motivo, procurou saber da administração do Soyo como é possível que tantas residências sejam construídas a menos de 300 metros dos poços de petróleos. O administrador municipal adjunto do Soyo para a área Política e Social, José Suca, explicou que essas construções têm sido “um cavalo de batalha”, uma vez que viver a menos de 300 metros de um poço de petróleo é expor a sua família a risco, principalmente quando há uma fuga ou outro tipo de acidente.

Segundo ele, é prejudicial, podendo causar morte, razão pela qual têm chamado a atenção dos municípes. “Nós, como administração, não concedemos licença de construção nessas zonas, mas por alguma razão, que nós desconhecemos e também não é falta de espaço, insistem em construir em locais impróprios e não autorizados pela administração”, disse. O responsável atribuiu igualmente culpas à população e às empresas produtoras de petróleo. Para ele, os locais deviam ser protegidos, se calhar com uma vedação, de formas a que o perímetro de exploração seja isolado ou fique livre de invasão. José Suca fez saber que de momento não têm fiscais que cheguem para proteger essas zonas, mas os técnicos fazem visitas, embora nem sempre consigam ter o controlo total dessas áreas. Como se não bastasse, tem havido cidadãos que fazem as suas construções aos domingos ou no período nocturno para não serem interpelados.

Queimas para produzir carvão perto dos poços de petróleo

De acordo com o responsável, a administração tem feito o seu papel que é de conversar com a população. Algumas obras até têm sido embargadas, mas ainda assim vão surgindo outras em certas áreas proibidas ou desaconselháveis. Nos últimos tempos, a administração tem estado a trabalhar com o Ministério do Ambiente e a Sociedade Petrolífera de Angola “Somoil-SA”, para estudar medidas para conter a invasão da população em zonas de produção petrolífera. Segundo o responsável, os canais de comunicação estão melhorados. São comunicados de imediato sempre que surgem obras novas e as autoridades, por sua vez, enviam mandam técnicos ao terreno no sentido de impedir as construções. “Essa é uma situação que nos preocupa muito. Tanto a invasão das áreas de exploração petrolíferas para construção de casas, bem como um outro fenómeno que surgiu há algum tempo, que é a desmatação dessas zonas para produzirem carvão”, disse. Apesar de a população saber que a queima nas proximidades dessa zona é um perigo, ainda assim queimam lenhas para fazer carvão. Embora não se tenha registado ainda nenhuma situação que resultou em morte por combustão, as autoridades fazem tudo para tirar dali aquela população.

Ravinas separam Pedra do Feitiço da comuna sede

Além das construções nas proximidades dos poços de exploração de petróleo, o responsável municipal adjunto do Soyo para a área política e Social, José Suca, aproveitou a oportunidade para falar também do fraco desenvolvimento que se regista nalgumas comunas, como a da Pedra do Feitiço, resultante das más condições das vias de acesso e não só

Outro problema que deixa a população triste são as vias de acesso que continuam a prejudicar os habitantes de várias aldeias, já que não conseguem, por exemplo, escoar os produtos de campo para os principais centros de consumo. Alfredo Mayembe, que vive na Comuna da Pedra do Feitiço, explicou que a região é potencialmente agrícola, mas muitos produtos cultivados não chegam aos principais centros e acabam por se estragar devido ao mau estado das vias. “Tem sido muito difícil viajar neste troço, poucos carros circulam. Para nos deslocarmos até à cidade do Soyo utilizamos motorizadas, que cobram 1000 Kwanzas por corrida”, lamentou.

Devido a este aspecto, as pessoas preferem viajar à pé, até à sede do município, para conseguirem alguns bens como sal, sabão, óleo, por falta de lojas na comuna. O administrador adjunto, José Suca, admitiu que neste momento têm algumas dificuldades no que concerne a acessibilidade às comunas e, nalgumas vias, com as chuvas fez nascer várias ravinas, sobretudo na comuna da Pedra do Feitiço, que é a que mais dista da sede do município, bem como na comuna do Quêlo. “Temos várias dificuldades no acesso a essas localidades que produzem muitos produtos do campo, mas com o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) temos priorizada a intervenção nessas vias”, explicou.

Povo do Soyo vive da agricultura e pesca

O povo nato do município do Soyo, província do Zaire, é agricultor e também vive da pesca, segundo o administrador adjunto, revelando que, como havia muita facilidade de se conseguir emprego no sector dos petróleos, alguns hábitos foram-se perdendo. Muitos dos jovens, por causa das empresas petrolíferas, não continuaram com os estudos. Depois de terminar a 8ª ou 10ª classe, muitos deles preferiam ir buscar emprego numa empresa de petróleo e esqueciam-se de que o mais importante era a formação. Poucos queriam saber de cultivar e praticar a pesca. “Fruto disso, a produção local passou a ser só a familiar ou agricultura de subsistência. Neste momento é que estamos a aconselhar os munícipes do Soyo a investirem um pouco mais na agricultura, quiçá criarem pequenas cooperativas, também familiares, e apostarem muito mais no campo que é um sector mais seguro em relação aos demais”, disse.

Mais de 300 turistas visitaram o município do Soyo

Em termos de turismo, mais de 350 turistas escalaram o Soyo para visitar alguns pontos ligados à história, de acordo com o administrador adjunto. “Sabemos que a história de Angola começou no Soyo, na ilha da Ponta de Padrão, em 1482, com a chegada do Diogo Cão, mas ainda é necessário que o governo invista no turismo, que se crie melhores condições”, defende.

Realçou que primeiro tem de se criar condições de hotelaria para acomodar os turistas que visitam o município, bem como melhorar as condições dos pontos turísticos, principalmente os acessos. De acordo com o responsável, é preciso organizar melhor os pontos a servem visitados.

No ano passado, o município recebeu a visita de vários agentes ligados ao sector do turismo. Os mesmos decidiram visitar vários pontos do Soyo, dentre os quais a Pedra do Feitiço, onde notaram a existência de uma unidade militar. Os estrangeiros disseram que o local não é dos melhores, por causa dessa base militar, uma situação já reportada às autoridades competentes e que será resolvida. “Queremos figurar o sector do turismo numa posição privilegiada no ranking dos países a serem visitados pelos turistas, mas é preciso que façamos o trabalho de casa, porque motivos para visitas temos vários. Só assim o turismo vai começar a render em Angola”, disse.

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