Fundação Arte e Cultura homenageia escritora Ella Van-Dúnem

“A mulher transpira arte, Ella, canta, escreve. É multifacetada, representa a maior parte da população angolana que é jovem e mulher.

Neste 31 de Julho elegemos uma figura emblemática, uma pessoa experimentada, viajada, que conhece várias realidades sociais, e tem uma força que vai além-fronteiras, olhamos para este background e decidimos homenageá-la”, Ismael Farinha. Podíamos chamar mulheres mais velhas, nomes sonantes da poesia angolana, mas, entendemos que não temos só que homenagear os mais velhos, ou após o passamento físico, aproveitamos cada momento como deve ser.

Concluiu o responsável da Fundação Arte e Cultura. O momento preenchido de boa música, humor e poesia consciente, acolheu cerca de 40 pessoas para celebrar o dia da mulher africana. Durante duas horas e meia de espectáculo, foram explorados vivamente alguns dos poemas da primeira obra da escritora Ella Van-Dúnem, lançada a 02 de Abril de 2019, “A Cassule”. O público vibrou ao som da música de Pascoal Mussungo, Gabriel Nhoze, Kabuiza e de vozes metrifi cadas de poetas da nova geração. “Senti-me lisonjeado, foi aprazível participar nesta homenagem a Ella Van-Dúnem, pois tem uma escrita fluída que se adapta a todas as idades. É isso o que mais me encanta nos seus textos”, disse Walietcha Neto.

Vivi este momento com muita alegria, serviu não só para festejar o dia da mulher africana, mas também para reflectir em torno dos dilemas que a mulher enfrenta. Conheci a Ella hoje e penso que está no bom caminho, força mulher, que venham mais livros, Henda Manjolo! “Declamei o poema plágio da autoria de Ella, identifiquei-me bastante com a história, senti que este poema foi feito para mim. Os versos conversam sobre como é ser uma mulher negra no mundo em que vivemos, um mundo racista, sexista…” foi muito importante ter dado corpo, vida e voz a este poema. Sublinhou Demira Diniz. Ella Van-Dúnem no poema plágio exalta a singularidade da beleza da mulher negra e desafi a a ciência das cirurgias estéticas. Falar da mulher em Angola, remete-nos ao problema do comércio informal, uma situação que afecta uma parte significante das famílias angolanas, em o “Bebé das zungueiras”, a autora preocupa-se com o fenómeno zunga, questiona o futuros destes petizes. “O que acontece? … Para onde vão os bebés das zungueiras?”.

O Momento mais alto da noite aconteceu quando a dupla de poetas Gago e Gimy Toca do Semba encarnaram o poema cubra-me. Entre gritos, sorrisos e aplausos, a escritora de “A Cassule “ confessou que teve um momento de analepse. “Voltei a viver as emoções que tive no momento em que escrevi este poema, veio-me à memória a minha irmã Verónica”. Gostei tanto da forma como cada declamador/a deu uma nova vida ao poema que escolheu para recitar, foi um momento emocionante, senti-me uma noiva e/ou aniversariante, muito obrigada pelo carinho. O espaço noite de poesia terminou com a actuação da homenageada, que em gesto de celebração e gratidão interpretou a música fi lhas de África das Gingas do Maculusso. A organização do evento afirmou que o balanço foi positivo e que os jovens precisam mais deste tipo de iniciativas.

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