Académico considera falta de informação um dos piores males da governação angolana

Para António Tomaz, em entrevista a OPAÍS, o Executivo angolano tem demonstrado, ao longo dos anos, que comunica-se mal com a sociedade, tendo alertado para os perigos dessa prática que tem efeitos negativos, até mesmo para a captação do investimento privado

O académico António Tomaz considera a falta de informação sobre os mais variados projectos públicos como sendo um dos piores males da governação angolana. No seu entender, as iniciativas públicas criadas pelo Executivo têm carecido de informações e transparência, situação que vem criando interpretações erradas e posições desconexas entre o Governo e a sociedade. Para o também investigador, o Executivo angolano tem demonstrado, ao longo dos anos, que se comunica mal com a sociedade, tendo alertado para os perigos dessa prática que tem efeitos negativos até mesmo para a captação de investimentos privados.

“Sem informação não temos economia, não temos bolsa porque não temos transparência. Sem informação não se consegue tomar decisões porque nunca se sabe o que se esta a passar. E isso tem consequências graves para a economia”, notou. De acordo com Tomaz, um dos exemplos da falta de informação do Executivo é a mais recente declaração do ministro da Construção, Manuel Tavares de Almeida, relativamente à construção do Bairro dos Ministérios, que segundo o governante, registaram alguns excessos negativos na abordagem do tema, com manifestações de falta de urbanidade e honestidade intelectual, por parte de alguns analistas. Segundo António Tomaz, o grande problema do bairro dos Ministérios e outros projectos públicos não está na interpretação da comunicação por parte da sociedade e de outros segmentos da vida do país.

Está, no seu entender, na falta de informação e de transparência da parte do Governo e dos seus governantes. No entanto, à semelhança do bairro dos Ministérios, o académico apontou igualmente outros grandes projectos, como é o caso das centralidades, que, conforme explicou, até hoje não existem informações exactas para sociedade sobre o quanto custou, quanto falta gastar e quanto falta pagar. “Sempre faltou muita informação e transparência da parte do Governo. Não se sabe quanto custa e quem faz os projectos.

Caso queiras perguntar, ninguém diz nada. Por exemplo, quem consegue pedir os relatórios da construção do kilamba? Há algum arquivo sobre isso? Isso acontece nos milhares de projectos. Com o Bairro dos ministérios, o Governo esperava que toda a gente saltasse de alegria com a tal construção. E ficou frustrado por termos achado aquilo criminoso”, frisou. António Tomaz, que é também docente da universidade de Joanesburgo, na África do Sul, lamentou ainda a posição do parlamento, que não exige e nem se pronuncia diante desta falta de transparência e de informação do Executivo. “Os deputados sabem tanto como os cidadãos. Têm de ver os noticiários para saber o que se passa”, deplorou

Exigir mais

Porém, diante da precariedade de informação, António Tomaz sugere que a sociedade deve obrigar o Executivo a prestar informações sobre os projectos públicos que são construídos. Para o académico, só com exigência é que os governantes poderão ter maior noção e responsabilidade do bem público.

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