Research Atlantico: A possível inversão da política monetária nos EUA

A reserva Federal norte-americana (Fed) decidiu reduzir em 0,25 p.p. a taxa de juro de referência para o intervalo 2% - 2,25%, na reunião encerrada a 31 de Julho de 2019

A instituição de Bretton Woods divulgou que em consonância com o seu mandato estatutário, o Comité procura promover o pleno emprego e a estabilidade de preços. À luz das implicações da evolução global para as perspectivas económicas, tal como as pressões inflacionárias moderadas, o Comité decidiu reduzir a meta para a taxa de fundos federais. Essa acção apoia a visão do Comité de que a expansão sustentada da actividade económica, as condições sólidas do mercado de trabalho e a inflação próxima da meta de 2% são os resultados mais prováveis, mas as incertezas sobre essa perspectiva permanecem.

Porém, como o Comité acompanha a trajectória futura da meta para a taxa dos fundos federais, continuará a monitorar as implicações das informações recebidas para as perspectivas económicas e agirá como apropriado para sustentar a expansão, com um mercado de trabalho forte e inflação próxima do objectivo de 2%. A decisão da Política Monetária reflecte a primeira redução da taxa de juro de referência desde Dezembro de 2008, quando registou diminuição de 0,75 p.p. do limite superior, para 0,25%. O registo reflecte uma inversão da trajectória de normalização das taxas de juro de referência que teve início em Dezembro de 2015, com um incremento do limite superior de 0,25 p.p., para 0,5%.

Contudo, os indicadores macroeconómicos apresentaram trajectória contrária às expectativas da Fed, com a taxa de inflação referente ao mês de Junho a fixar-se em 1,6%, que representa a segunda redução mensal consecutiva, situando- se 0,4 p.p., abaixo da meta de 2% definida pela Fed e a razão entre a população desempregada e a população economicamente activa (taxa de desemprego), situou-se em 3,7% no mês de Junho, um incremento mensal de 0,1 p.p., o que diverge da trajectória decrescente registada desde Fevereiro de 2019. Relativamente ao crescimento económico destaca-se que o IIº Trimestre de 2019 caracterizou-se por uma variação de 2,1%, que representa uma diminuição de 1 p.p. e 0,4 p.p. em relação ao trimestre anterior e homólogo, respectivamente.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou a perspectiva de 2,6% de incremento homólogo do Produto Interno Bruto (PIB), no relatório World Economic Outlook de Julho, que representa uma revisão em alta de 0,3 p.p. em relação ao relatório divulgado em Abril. A revisão da expectativa da instituição reflecte o desempenho comercial do Iº trimestre acima do esperado, com o saldo comercial a fixar-se em -51,906 mil milhões USD uma melhoria de 14,64% em relação ao trimestre anterior, em consequência do incremento das exportações e a moderação das importações, que poderá reflectir o incremento das tarifas. No entanto, para 2020 a instituição de Bretton Woods estima uma moderação significativa do desempenho da economia, para 1,9%, em consequência da moderação do impacto dos estímulos fiscais.

No segundo dia do Comité, em que se realizou a divulgação da redução da taxa de juro de referência, os índices Dow Jones e S&P 500 encerraram o dia com queda na cotação de 1,23% e 1,09%, para 26.864,27 e 2.980,38 pontos, respectivamente. O USD Index valorizou 0,48%, para 98,516 e a yield dos títulos da dívida soberana norte- americana a 10 anos reduziu 0,044 p.p., para 2,014%. O desempenho dos mercados financeiros representa o impacto da confirmação da expectativa de moderação do crescimento económico norte-americano pela Reserva Federal e a busca por activos de segurança num período de maior volatilidade, em consequência da possibilidade de concretização de um Hard Brexit e pelo intensificar da guerra comercial entre os EUA e a China.

O cenário da tensão comercial apresentou novo registo, contrário às expectativas dos investidores, com o anúncio do presidente Donald Trump no dia 1 de Agosto da imposição de novas tarifas alfandegárias sobre as importações provenientes da China com uma taxa de 10% sobre o equivalente a 300 mil milhões USD de produtos chineses. Entretanto, o governador da Fed, Jerome Powell referiu a quando da divulgação da decisão do Comité de Política Monetária, que o registo de Julho não representa necessariamente o início de um ciclo de reduções das taxas de juro de referência pela instituição, mas de acordo com alguns analistas, a trajectória dos indicadores macroeconómicos sinaliza a possibilidade de novos cortes.

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