Governo de Benguela criticado por priorizar vítimas do Sul em detrimento das comunidades locais

Determinados segmentos sociais e políticos acusam o Governo de Falcão de priorizar os problemas da fome nas províncias do Cunene e Cuando Cubango, enviando bens de primeira necessidade, em detrimento das comunidades próximas que sofrem com a fome e são obrigadas a se alimentarem de frutos silvestres

Por:Constantino Eduardo, em Benguela

O Governo Provincial de Benguela está a encabeçar uma acção de doação às vítimas da seca no Sul do país, mas esta iniciativa, segundo agentes políticos e sociais, devia priorizar, em primeira instância, os problemas de comunidades como a do Capilongo, no município de Benguela, cujos residentes, na falta de alimentação, a múcua preenche a ementa diária da alimentação.“Nós estamos a passar mal. Fazemos funje e o conduto é múcua. Estamos mal. Queremos só pedir ao Governo para nos ajudar”, reclama a senhora conhecida apenas por Felícia, que aguarda por uma resposta das autoridades locais.

À iniciativa do Governo juntaram- se várias instituições, entre filantrópicas, políticas e empresariais, empenhadas na entrega de toneladas de bens de primeira necessidade para atender à necessidade premente daquela comunidade, cujo cenário de vida sensibiliza o país todo.Na perspectiva da UNITA, esse quadro demonstra o falhanço das políticas do Governo, sobretudo as direccionadas ao fomento à agricultura, por considerar inconcebível que comunidade no município sede padeçam de problemas dessa natureza, daí que critique o facto de se estar a olhar para a “casa do outro”, ignorando por completo os problemas das suas comunidades locais. dr Para Alberto Ngalanelã, secretário provincial do Galo Negro, a situação da fome a que se assiste no interior do país agravase ainda mais com o encarecimento dos produtos no mercado.

“A situação da seca no Sul do país criou uma onda de solidariedade, muito bem, mas não podemos esquecer que Capilongo é aqui bem próximo”, disse, denunciando que a fome estará a causar malnutrição no interior da província de Benguela. Zeferino Cuvíngua, secretário provincial executivo da CASA- CE, espera que as doações em curso beneficiem, de facto, a população carente. Fa- Constantino Eduardo, em Benguela zendo uma incursão histórica, o político alimenta o seu receio no facto de, nas enxurradas de 2015, os bens resultantes da onda de solidariedade terem tido, alegamente, destinos incertos, deixando os destinatários à mercê.

“A iniciativa é boa, mas a experiência nos diz que as coisas não correram lá assim muito bem com as vítimas das chuvas. Também a coisa está muito partidarizada”, diz. Enquanto a UNITA e a CASA-CE se focam nas críticas à governação de Rui Falcão, o MPLA desenvolve acções de altruísmo, na base do apelo institucional, tendo procedido recentemente à entrega de quatro toneladas de produtos diversos, como massa, arroz, esparguete, feijão, entre outros ao Governo de Benguela, para acudir as vítimas da seca.De acordo com o segundo secretário do comité provincial do maioritário, António Kalianguila, a recolha continua e, tão-logo cheguem novos lotes, entregá-los-ão a quem de direito. “Porque os militantes, amigos e simpatizantes não param de doar”, disse. Antevendo críticas de vários quadrantes, a vice-governadora para o sector político, social e económico, Deolinda Valiangula, apela a outros segmentos sociais que sigam o exemplo do maioritário.

Questionado por este jornal sobre quando é que doações do género destinar-se-ão à comunidade do Capilongo, a directora da Acção Social, Igualdade no Género, Leonor Fundanga, garante que dentro de dias o seu pelouro, que já arrecadou 94 toneladas de produtos diversos, vai direccionar a sua acção no atendimento às preocupações da comunidade do Capilongo, numa clara alusão de que os bens até aqui recepcionados têm como destinos apenas às províncias do Cunene e Cuando Cubango. Segundo a responsável, o executivo local está a ensaiar um programa que passa pela construção de furos de água e outras infra-estruturas.Quem também espera que o governo preste atenção necessária àquela comunidade é Messelo da Silva, director executivo da Organização Humanitária Internacional (OHI), para quem o cenário é desolador. “Nós temos trabalhado com essas comunidades e, de facto, é preocupante”, esclarece.

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