Tudo começa na infância

A licença de parto em Angola é de apenas três meses, ao mesmo tempo, as autoridades dizem que as mães devem amamentar as crianças até perto dos dois anos de idade. E têm razão, a pobreza por cá é tanta que os índices de malnutrição sobem todos os anos. O aleitamento, está cientificamente confirmado, é o alicerce na edifi cação de pessoas mais saudáveis, de sociedades mais saudáveis e mais inteligentes. Então, pareceme ser uma contradição que o Estado angolano por um lado apele ao aleitamento materno prolongado e ao mesmo tempo limite de forma tão drástica a relação da mãe com o bebé. Isto para não se falar dos pais, estes nem são tidos nestas contas, infelizmente. E depois queixamo-nos da desestruturação familiar. O Estado perderia muito dinheiro com uma licença mais prolongada? O que sei é que os países nórdicos, que têm as licenças mais longas, ultrapassando um ano, são muito mais ricos que o nosso país e as sociedades muito mais felizes e produtivas. A questão está no que se quer fazer, na competência de pensar. Há o trabalho temporário, a formação profi ssional, etc., há muita coisa em que pensar sobre este assunto, mas, realmente, era preciso termos decisores mais inteligentes, cérebros mais pensantes, o que se torna cada vez mais difícil de encontrar em Angola, talvez pela falta de leite e de calor materno na infância, quem sabe?

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