Com o fim do improviso

Talvez por andar perdido pelo interior do país estes dias, ainda não me chegou qualquer desmentido da notícia da Lusa em que o ministro das Obras Públicas era citado dizendo qualquer coisa como “agora temos de ser eficientes e não mais como o improviso de quarenta anos”. A sorte do Governo é que a cultura jurídica dos angolanos é escassa, não sei como se aguentaria o Estado com milhões de processos judiciais de angolanos furiosos com a brincadeira de quarenta anos. É que neste tempo todo os angolanos não improvisaram no sofrimento que sofreram. Mas já que o ministro não está para improvisos, que tome nota: o pouco de estradas reabilitadas pelo seu ministério não estão devidamente sinalizadas. Boa parte não tem guias reflectoras para o condutor perceber onde está a estrada à noite. Nem adianta falar de outro tipo de informação, porque quem vai na estrada tem de saber onde está e a que distância está das localidades mais próximas. E, já agora, tire os “quebra-molas” invisíveis das estradas nacionais, o Estado não comparticipa na compra do carro do cidadão. Sobre acabar com os buracos, isto é o mínimo que se espera de quem não improvisa. Tem mais, está a ver o estado das cidades, dos prédios sobretudo? Com os espaços para elevadores feitos lixeiras, os corrimãos arrancados, portas e janelas quebradas, saídas de esgotos rebentadas, etc? As autarquias não vão resolver isso, o seu ministério deve elaborar um estudo, quantificar e levar o Governo a abrir uma linha milionária de intervenção para alterar as coisas, como um “Plano Marshal” de salvação das cidades. Não há volta a dar. Os ganhos serão muitos e duradouros.

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