ONU alerta para necessidade de redução do consumo de carne para conter aquecimento global

O consumo global de carne precisa diminuir para conter o aquecimento global, reduzir a pressão crescente sobre a terra e a água, e melhorar a segurança alimentar, a saúde e a biodiversidade, concluiu um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os efeitos da mudança climática

embora o relatório não tenha defendido explicitamente que se evite a carne, o texto pediu grandes mudanças nos hábitos de plantio e alimentação para limitar o impacto do crescimento populacional e das mudanças dos padrões de consumo sobre os recursos terrestres e hídricos, já sobrecarregados. Alimentos à base de plantas e alimentos de base animal sustentáveis poderiam libertar vários milhões de quilómetros quadrados de terra até 2050 e cortar de 0,7 a 8 gigatoneladas anuais de equivalentes de dióxido de carbono, disse o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC).

“Há certos tipos de dieta que têm uma pegada de carbono mais baixa e colocam menos pressão sobre a terra”, explicou Jim Skea, professor do Imperial College de Londres, nesta Quinta-feira. O IPCC reuniu-se esta semana em Genebra, Suíça, para finalizar o seu relatório, que deveria ajudar a orientar governos que se reúnem este ano no Chile a respeito de maneiras de implementar o Acordo de Paris de 2015.

“O IPCC não recomenda dietas às pessoas (…) as escolhas dietéticas muitas vezes são moldadas ou influenciadas por práticas locais de produção e hábitos culturais”, disse Skea, um dos autores do relatório, aos repórteres em Genebra. A terra pode ser uma fonte e um escoadouro de dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa ao qual se atribui o aquecimento global, e uma administração melhor da terra pode ajudar a lidar com a mudança climática, disse o IPCC.

Mas não se trata da única solução, e cortar emissões de todos os sectores é essencial para reduzir rapidamente o aquecimento global. “A janela para fazer estas mudanças está a fechar-se rápido. Se houver mais atraso na redução de emissões, perderemos a oportunidade de administrar com sucesso a transição da mudança climática no sector agrícola”.

Desde a era pré-industrial, a temperatura do ar na superfície da terra subiu 1,53 grau Celsius, o dobro da temperatura global média de 0,87ºC, causando mais ondas de calor, secas e chuvas fortes, além da degradação do solo e da desertificação. O uso humano afecta directamente mais de 70% da superfície terrestre global livre de gelo, e a agricultura consome 70% da água doce, acrescentou o IPCC no relatório.

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