Três médicos congoleses presos em conexão com a morte de funcionário da OMS

 

Três médicos congoleses foram presos por supostamente planearem o ataque a um hospital que matou um epidemiologista da Organização Mundial da Saúde (OMS) envolvido na resposta ao Ébola, disse um procurador na Quarta-feira

O médico camaronês Richard Mouzoko foi morto num ataque em Abril num hospital da cidade de Butembo, um dos epicentros do surto de Ébola, que é o segundo mais mortal da história. Centros de tratamento para o Ébola têm sido repetidamente atacados por milicianos armados e moradores descontentes, dificultando os esforços para conter a epidemia no Leste da República Democrática do Congo devastado pelo conflito.

O tenente-coronel Jean-Baptiste Kumbu, um alto procurador militar disse que, milicianos envolvidos nos centros de tratamento, revelaram num interrogatório, que atacaram quatro médicos envolvidos no planeamento dos ataques, inclusive contra o hospital de Butembo. Kumbu disse que três foram presos, enquanto o quarto estava em liberdade. Ele não forneceu mais detalhes sobre quando ou onde eles foram detidos ou qual poderia ter sido o motivo deles. Em comunicado, a divisão Butembo do Conselho Nacional dos Médicos do Congo disse que estava “indignada” com as prisões, que, segundo ela, estavam a prejudicar os serviços médicos vitais na área.

O Conselho disse que os médicos deveriam ser libertados sob fiança, e que o pessoal médico lançaria uma greve dentro de 48 horas se não fossem atendidas as suas reclamações. Apesar da administração de uma vacina altamente eficaz, o Ébola continua a espalhar-se no Leste do Congo, atingindo a maior cidade da região de Goma no mês passado. O surto mais recente já matou mais de 1.800 pessoas desde o ano passado, de acordo com autoridades de saúde congolesas. Algumas pessoas acreditam que o Ébola é uma conspiração criada pelo governo ou por países estrangeiros.

O influxo de dinheiro dos doadores para financiar a resposta também alimentou as tensões entre líderes políticos rivais e operadores económicos, levando, em alguns casos, à violência. Kumbu disse que um total de 54 pessoas estão presas em conexão com ataques a centros de tratamento do Ébola.

error: Content is protected !!