Viajando num dos trens mais rápido do mundo

Os trens de alta velocidade são serviços rápidos e em alguns países, como na China e Japão, chegam a competir com os serviços da aviação. A equipa de reportagem de OPAÍS narra a experiência de viajar num desses meios

Por:Paulo Sérgio, em Anhui

 Mal o autocarro parou defronte à estação “Beijing Railway Station”, às 9h30, na última Quarta-feira de Julho, 24 passageiros, transportando bagagens de mão, correram em direcção ao portal principal com o intuito de viajarem num dos trens mais rápido do mundo. À entrada, os passageiros são submetidos a um sistema de revista semelhante ao existente nos aeroportos. Depois de submeterem as bagagens em revista, através de aparelhos de raio X, e exibirem as passagens e os respectivos documentos pessoais, foram autorizados a entrar. Usando uma escada rolante, subiram ao andar superior e a imagem que lhes veio a frente era bastante inspiradora. Milhares de pessoas se encontram no local, algumas circulando de um lado ao outro.

Outras paradas com os olhos fixos nos enormes placares, tentando identificar o número da porta de embarque e confirmar a hora de saída. Quem já o fizera, aguardava, refastelado numa das cadeiras existente para o efeito, pelo anúncio do embarque. Por insuficiência de espaço, a quem permanecesse sentado ao chão. Ao passo que outros perfilavam para embarcar. Enquanto aguardam, os passageiros acessam gratuitamente a internet por via do sistema Wi-fi.

Os 20 angolanos, profissionais de comunicação social, liderados por quatro cidadãs chinesas podo Departamento de Formação de Comunicação Internacional do Centro de Formação do Grupo de Publicação Internacional da China, dirigiram-se ao balção de embarque número 14, na lateral esquerda (há outro com o mesmo número na lateral direita), para embarcarem no vagão 7. Faltavam cerca de 20 minutos para que o trem de alta velocidade desenvolvido pela empresa chinesa CRRC, que haveria de percorrer os 1.213 quilómetros que separam a Beijim (também designado de Pequim) da cidade de Hefei, província de Anhui, receber os passageiros.

A presença de indivíduos de raça negra despertava a atenção dos chineses de diferentes idades. Entre as crianças, houve quem aproveitou acenar saudando ou fazendo adeus. Os mais ousados aproveitavam filmar ou fotografar para mostrar aos seus familiares e amigos. Lin Ziqi, mais conhecida por Iris, uma das nossas tradutoras e guias, ficou surpreendida com a reacção dos seus conterrâneos. Explicou, porém, que não o faziam por descriminação racial, mas por estarem admirados. Para alguns deles, era a primeira vez que viam pessoas com o tom da pela escura.

Percorrer 1.213 km em 4h46

Às 10h00 fomos autorizados a descer ao terminal onde se encontrava o imponente trem bala, depois de voltarmos a exibir os bilhetes e os passaportes. As passagens, além de personalizadas, especificam o número da carruagem e o assento do passageiro. Pontualmente às 10h10, o trem começou a marchar rumo à Hefei. Tinha pela frente uma distância próxima da que separa a província de Luanda do Moxico, para ser percorrida em 4horas e 46 minutos. Um desejo a que os angolanos não escusaram de manifestar.

Uma das assistentes de bordos, através de um sistema de som interno, anunciou as regras que deveriam ser escrupulosamente cumpridas em chinês e inglês. Um exercício que foi sendo feito, sempre que o trem carregava novos passageiros nas estações situadas ao longo do percurso. Antes de o trem aumentar a velocidade, uma das assistentes de bordo, trajada de uniforme cor de vinho e camisa branca, foi verificando se as bagagens estavam devidamente arrumadas. O passageiro só se apercebe que está a andar em alta velocidade na medida em que os trens vão se cruzando.

Comércio no trem bala

O transporte de passageiro transformou-se também numa oportunidade de negócio. Ao aproximar-se das 12horas, as assistentes de bordos assumem a função de comerciantes de bens alimentares e bebidas. Um serviço que visa facilitar os passageiros que não conseguem levar refeições de casa ou adquiri-las antes de embarcarem. Porém, de acordo com a Iris, tais produtos são comercializados a um preço superior ao praticado noutros locais.

Razão pela qual, a organização da viagem optou por fornecer refeições instantâneas aos membros da delegação. Para atender a essas situações, cada vagão dispõe de um sistema de fornecimento de água quente e fria que podem ser usadas para o efeito. Por detrás de cada assento, existem tabuleiros que servem para o viajante saciar confortavelmente a fome. No decorrer do horário do almoço e não só, as funcionárias de limpeza vão percorrendo os vagões para recolherem o lixo. Esse serviço é extensivo a reposição de papel higiénico e guardanapos nos balneários das carruagens.

 

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