Zungueiras criam programa televisivo para defender os seus direitos

O programa denominado “Repórter Zungueiro” passará a ser emitido às Quintas e Sextas-feiras na RTP África e na Tv Record, onde serão reportadas as suas actividdes e o sacrifício que fazem para se livrarem da actuação dos fiscais e agentes da polícia

Por:Milton Manaça

Associação Nacional dos Vendedores Ambulantes (ANVA) passará a emitir, a partir de Setembro próximo, programas relacionados ao dia-adia da mulher zungueira, como forma de chamar atenção às injustiças a que alegadamente estão submetidas no exercício das suas actividades e defender os seus direitos. A informação foi avançada a OPAÍS pelo presidente da ANVA, José Cassoma, tendo adiantado que os programas serão emitidos numa primeira fase na RTP África e na TV Record, que terão anuído à solicitação da associação. Os programas serão emitidos às Quintas e Sextas-feiras em horário ainda por definir, através da rúbrica Zungueiras criam programa televisivo para defender os seus direitos“Repórter Zungueiro”, onde serão reportadas as actividades por elas desenvolvidas desde as primeiras horas do dia, a fuga aos fiscais e agentes da polícia.

A ANVA entende que existem vários casos de violação dos direitos humanos contra a mulher zungueira e o “Repórter Zungueira” poderá traduzir-se numa oportunidade destas manifestarem as suas opiniões e fazerem ouvir a sua voz para que haja intervenção das autoridades. Para além das televisões acima mencionadas, José Cassoma disse que solicitarão as televisões e rádios angolanas para se juntarem à causa, no sentido de darem voz a esta franja da sociedade, porque só em Luanda mais de 250 crianças por dia dormem a fome porque as mães ficaram sem o negócio.

“Isto faz parte de um sistema de discriminação reter o negócio de uma pessoa que é chefe de família. Esta mesma família sobrevive deste negócio que depois desaparece. É desumano porque há crianças que ficam a fome durante dias por esta prática”, disse Cassoma

Apelo às autoridades

A ANVA entende que o fenómeno da zunga é resultado da guerra que o país viveu, da falta de emprego e da pobreza a que estão votadas as famílias angolanas e defende que “o problema não deve ser resolvido com chicote e morte dos seus associados”. José Cassoma diz haver muitos casos isolados de injustiças que não chegam ao conhecimento das autoridades. Por isso, lamenta o facto de os responsáveis municipais e de províncias não convocarem os representantes das zungueiras para juntos pensarem na solução do problema.

Queixa-se de uma alega falta de diálogo e diz existir opressão para com a classe que defende, por não ter oportunidade de manifestar as suas ideias para organizarem a sua actividade. “As administrações municipais e os governos provincias não têm vontade de resolver o problema e estão mais preocupados em escoraça-las. Por isso, todos nós pensamos que quem pode resolver os nossos problemas é o Presidente da República a quem pedimos intervenção” disse, acrescentando que tem se registado o aumento de delinquentes e prostitutas filhos de zungueiras que procuram meios para sobreviverem.

José Cassoma diz haver promessa de eventuais patrocinadores para realizar o “Repórter Zungueira”, mas por não ter garantias quer contar com o contributo da sociedade. Os interessados deverão contactar o 912 793 500 ou fazer depósito na conta da tesouraria da instituição no BFA 172492993 / 0006.0000.4929.9331.144 IBAN. Actualmente, a ANVA controla mais de 11 mil 750 associados espalhados por várias províncias do país.

Até agora não temos resposta das crianças que desistiram de estudar”

Segundo a associação, cerca de 500 crianças filhos de zungueiras em Luanda desistiram de estudar no presente ano lectivo pelo facto dos seus encarregados de educação verem encerrados os espaços de venda, como noticiou este jornal na edição de 12 de Julho último.

A ANVA afirma ter o cadastro de todas as crianças que se encontram nesta condição, mas até ao momento não receberam nenhuma notificação por parte dos Ministérios da Acção Social e da Educação para que o problema seja resolvido. “Nós agora estamos preocupados com os filhos de zungueiras que estão sem escola e no próximo ano corremos o risco de vê-las novamente fora das salas de aulas, porque as mães não têm rendimento e não há nenhum pronunciamento das autoridades”, refere José Cassoma

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