Falcão confrontado por conselheiros sobre a governação

O governador provincial de Benguela afirmou que está consciente das suas responsabilidades governativas para esta circunscrição e diz ter metas bem definidas que já permitiram normalizar mais de 3 mil empregos. Rui Falcão respondia à crítica de um membro do Conselho Provincial de Auscultação das Comunidades, quarta-feira, 7

Por:Constantino Eduardo, em Benguela

Nos últimos dias, o governo de Benguela tem sido alvo de fortes críticas devido àquilo a que alguns segmentos chamam de “inércia” governativa. O seu titular se tem defendido com acções em curso e projectos já concluídos, com destaque para os investimentos feitos em alguns serviços dos Hospitais de Benguela e do Lobito. Na reunião do Conselho de Auscultação das Comunidades, órgão de consulta do Governador criado há seis meses, alguns membros consideraram oportunidade ímpar para abordarem o homem forte a quem cabe à condução político-administrativa dessa província.

Os cidadãos aproveitaram para escrutinar, de forma geral, os quase três anos do inquilino do palácio cor-de-rosa à praia Morena. Alguns círculos sociais e políticos consideram que a população local, neste período de consulado de Falcão, não sente os efeitos do Orçamento Geral do Estado destinado à província, considerando inconcebível o quadro social a que se assiste em Benguela. No mesmo fórum, informouse que a dotação orçamental de Benguela para o exercício económico de 2019 sofreu uma redução. De 103 mil milhões kz, baixou para 98 mil milhões, registando um decréscimo de mais de 5 mil milhões.

As preocupações surgem de vários quadrantes, desde o investimento público, deturpação da configuração arquitectónica, merenda escolar aos problemas de medicamentos em algumas unidades sanitárias da província. Contrariamente ao que governo faz crer, segundo os conselheiros que confrontaram Falcão, pacientes estarão a enfrentar muitas dificuldades no que respeita ao acesso aos fármacos.

O conselheiro João Carlos de Carvalho teceu fortes críticas a Falcão, fundamentalmente na forma como o governo de Benguela comunica. Recorrendo ao passado, o jornalista sustenta que, depois de um longo período político-militar a que a população esteve submetida, precisa, agora, de ser acarinhada pelos governantes em detrimento da rispidez adoptada. “Quem se vai responsabilizar pela gritante falta de compaixão com os irmãos angolanos que vivem na zona do Coringe? Ninguém está a ver a mediocridade e a pouca vergonha, mas não há responsáveis nesta terra?”, questiona-se.

Falcão gaba-se da normalização de postos de trabalho

Em sua defesa, o governador provincial, depois de ter recebido uma bateria carregada de críticas, assegurou que não veio a Benguela para fazer “show off”. Entretanto, como quem se quisesse gabar de acções empreendidas, apontou o facto de ter trazido uma nova linha de abastecimento de energia eléctrica de “Cambambe/ Benguela” que, certa medida, acabou por estabilizar o sistema no fornecimento de energia eléctrica à população. “Eu tenho metas. Não sou obcecado por elas, mas sou, no limite, um trabalhador que se entrega de corpo e alma”, disse, argumentando que goza de popularidade e, por isso, aconselhou o jornalista João Carlos de Carvalho a acompanhá-lo à praça para medir o seu grau de popularidade. O presidente do Conselho Provincial da Juventude, Lucas Katimba, questionou no encontro como é que se justificava o facto de o governador ter afirmado que não havia atrasos salariais no sector da saúde em Benguela, quando se veiculou informações segundo as quais mais de 200 funcionários do Hospital Geral de Benguela estarão a penar há meses. Rui Falcão justifica que os funcionários deverão se sujeitar a um concurso público, porque na função pública não existe contrato a termo certo. Sobre este assunto, segundo apurou este jornal, os funcionários estavam contratualmente vinculados ao Gabinete Provincial da Saúde a termo certo. Como na função pública não existe contrato a termo certo, os funcionários teriam de se sujeitar a um concurso público. Tendo sido terciarizado alguns serviços a duas empresas, estes foram absorvidos, mas, por falta de uma informação da parte da Saúde, os profissionais contaram que ainda estivessem vinculados ao hospital. Recentemente, ocorreu uma acção de conciliação entre as partes na Procuradoria-Geral da República.

error: Content is protected !!