Forças Armadas brasileiras contrariam instalação dos EUA na Venezuela, diz senador uruguaio

A presença de tropas americanas constituiria uma ameaça estratégica para os recursos vitais da Amazónia, disse à Sputnik o senador Ruben Martínez

Diante de uma possível intervenção militar dos EUA na Venezuela, os militares brasileiros estariam preocupados com o cenário futuro na região. Em entrevista à Sputnik Mundo, o senador do movimento governamental uruguaio Frente Amplio, Ruben Martínez Huelmo, comentou a possível reacção das Forças Armadas brasileiras. “O alto comando do Brasil suspeita que, se os EUA se instalarem na Venezuela, não parariam neste país, mas poderiam seguir para sul até se instalar na Amazónia”, disse o senador.

Os militares brasileiros, “muito nacionalistas”, segundo o senador, não descartariam esta hipótese, além de, há mais de 15 anos, terem traçado um novo mapa com ameaças estratégicas e potenciais conflitos ligados a questões de fronteiras e recursos naturais no norte do Brasil. A Amazónia, com uma área de 7,4 milhões de Km², possui 4,9% da superfície continental mundial e se estende por países como a Bolívia, Colômbia, Peru, Equador, Venezuela, Suriname, Guiana, Guiana Francesa, além do Brasil, o qual possui 5,5 milhões de Km² de território amazónico. “Estas coisas devem ser muito claras. Quando você vê que o [presidente do Brasil] Jair Bolsonaro quis a princípio uma intervenção militar na Venezuela, mas logo mudou de discurso, visto que certamente os comandos e centros de segurança nacional lhe advertiram, você tem que prestar atenção”, disse Martínez. Em meio ao aumento das tensões no país caribenho, o vice-presidente do Brasil e general reformado António Hamilton Mourão foi um dos primeiros integrantes do governo a defender o diálogo com a Venezuela, assim como se posicionou contra uma intervenção. “Não foi o [presidente] Trump conversar com [o líder nortecoreano] Kim Jong-un?”, disse Mourão em referência ao encontro entre os dois líderes no Vietname em final de Fevereiro passado. Inicialmente, Bolsonaro mostrou disposição de se aliar aos EUA em caso de acção militar contra a Venezuela.

No entanto, em 30 de Abril, o presidente reconheceu que as Forças Armadas do seu país vêem com preocupação uma eventual intervenção. “Não estamos bem de armamento, não podemos fazer frente a ninguém. Se algum país quiser aplicar sanções ou usar do Brasil não conseguimos reagir […] A nossa preocupação é muito maior em ser invadido do que em invadir”. O senador também enfatizou que a farta existência de recursos naturais na Venezuela é uma questão que tange não só o país. “A Venezuela é uma zona rica em petróleo e a Amazónia tem múltiplas riquezas, isto é um tema que não termina só na Venezuela”, observou Martínez. O país caribenho vive uma crise político-económica que se intensificou em Janeiro deste ano, após Maduro assumir o seu segundo mandato. O país viveu ondas de protestos, enquanto o líder da oposição, Juan Guaidó, se auto- proclamou presidente interino do país.

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