Instituto Politécnico do Soyo com falta de professores técnicos e prática

Desde a sua fundação em 2015, o Instituto Médio Politécnico do Soyo, província do Zaire, já formou 115 estudantes. São jovens oriundos de várias províncias do país em busca de uma formação técnica. A falta de professores, principalmente na componente técnico-prática constitui o grande obstáculo para o bom funcionamento, segundo o seu director, Alfredo José Adelino

A instituição que começou com três cursos na área de Indústrias Extractivas (Geologia de Petróleo e Produção Petrolífera) e na área de Mecânica com (Produção Metalomecânica), em 2015, evoluiu para os cursos de Perfuração e Produção, Processamento de Gás Natural, Manutenção Mecânica e Electrónica e Telecomunicações, totalizando sete cursos em três áreas de formação.

Em entrevista exclusiva a OPAÍS, o director do Instituto Politécnico do Soyo, Alfredo Adelino, explicou que os alunos já formados tiveram quatro anos de formação e no ano passado saiu a primeira promoção. Tiveram os seus estágios na empresa Somoil, sendo que os mesmos começam a ser certificados e serão os primeiros alunos da instituição, num total de 115 alunos de três cursos. Segundo o director do Instituto, infelizmente a instituição está com problemas na componente técnico-prática, por falta de professores. “Nós somos do sub-sistema técnico-profissional, por isso, devíamos ter aqui técnicos para cada uma das áreas de formação para formar os nossos estudantes, porque o nosso subsistema não é para dar continuidade ao acompanhamento do aluno na Faculdade. O aluno só vai à faculdade porque estamos com essa contingência no país”, disse. Falta de emprego e mercado de trabalho.

De acordo com o responsável, a falta de emprego faz com que o aluno, depois de terminar o Ensino Médio, não consiga entrar directamente no mercado de trabalho, por isso, continuam nessa situação. Apesar de os seus alunos serem formados para entrarem directamente no mercado de emprego, infelizmente isso não tem acontecido, disse. “Esperamos que nessa nossa primeira promoção consigamos fazer isso, nós temos um gabinete de ‘Integração à Vida Activa’ que acompanha o aluno, desde o término da formação, no sentido de saber onde foi, se continua a estudar ou se o aluno está no mercado de trabalho”, contou. “O nosso maior problema está justamente na componente professor

Falta de professor nas áreas específicas de formação dos nossos estudantes.

Nós estamos a formar mecânicos, temos que ter engenheiros mecânicos aqui para poderem mostrar, não só no papel, mas também na prática. O aluno precisa aprender a fazer, assim é mais fácil para eles”, disse. Um outro problema que inquieta o profissional, além da falta de professores, é também a questão de oficina e tudo está relacionado com aluno e professor. Segundo Alfredo Adelino, as oficinas têm dado trabalho. “Somos uma instituição que devia ter nascido como as outras, que no âmbito da Reforma de Ensino Técnico-profissional (RETEP) havia uma linha da China, que construía as escolas e colocava os laboratórios e as oficinas nas escolas, mas nós nascemos depois de tudo isso passar”, contou.

Por semana gastam duas cisternas de água no instituto do Soyo

Entre outras dificuldades, a instituição enfrenta problemas de falta de água e dependem dos camiões cisternas. Por semana chegam a gastar duas cisternas de água, valor que vai até aos 52 mil Kwanzas. “Uma instituição dessa com esse número de estudantes falta-nos água. A água que consumimos vem das cisternas e são mil Kwanzas para mil litros. Nesse caso gastamos por semana duas cisternas, e cada uma em torno 26 mil Kwanzas. Imagine quanto gastamos por ano só em água”, perguntou. Já foram feitos vários contactos e até tentaram fazer furos no quintal do instituto, mas não foi possível por ser uma área muito alta. Segundo o responsável, o pessoal tem feito furos artesanais que chegam até aos 14 metros, sendo que os furos devem ser mais de 50 metros de profundidade. É um trabalho que deve ser feito por uma empresa industrial. “O artesanal não pode fazer esse trabalho, quem deve fazer é o industrial. Essa é a maior dificuldade que temos e, as empresas que contratamos pedem valores muito altos que rondam entre sete a nove milhões de Kwanzas. Até agora o preço mais baixo que encontramos foi de 7 milhões e 500 mil Kz”, disse

Produção Petrolífera: o curso mais requisitado

Alfredo Adelino disse que o curso de ponta da instituição é o de Produção Petrolífera, também chamado como ‘3Ps’. Mas este ano um dos cursos que também teve muita aderência é o de Manutenção Mecânica, também por ser o mais recente e pela sua componente prática, seguindo a Metalomecânica. No ano passado tiveram um mecânico a trabalhar na instituição e o mesmo dava a possibilidade aos colegas de abrir, montar e comandar um motor, pelo que isso, despertou o interesse dos demais. O responsável garantiu que neste ano lectivo não se candidatou nenhum estudante do Soyo, a maioria dos estudantes que têm são provenientes de outras províncias do país, como Cabinda, Cunene, Cuando-Cubango, Namibe, Huila, entre outros. O Instituto Médio Politécnico do Soyo foi criado à luz do Decreto 210/015 de 9 de Abril de 2015, funcionando apenas com três cursos na altura, conta com 12 salas de aula, quatro laboratórios de informática e duas oficinas.

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