O testamento académico de lúcifer

Por:Edy Lobo

Há dias, enquanto pensava distraído, descobri que a palavra jornalista rima com analista. Se calhar posso atrever-me em dizer que um jornalista é aquela pessoa cuja função primeira para o desenrolar do múnus da sua profissão é fazer análise de factos. Jornalista que não lê a sociedade, não o é; simples assim. É para mim uma das profissões que está estritamente ligada as letras. No mesmo palco, para além da Comunicação Social, estão os cursos de Direito, Medicina, Formação de professores, entre outros. Obviamente que todas as outras formações obrigam a leitura pois, segundo a ciência, o hábito de ler é o que nos torna mais humanos. Quando o calor aterra no cacimbo é sinal de que alguma coisa não vai bem. As vezes nem é gripe; é mesmo precipitação exacerbada. Época de provas trimestrais. O ambiente estava infestado de suspense. Estamos todos habituados que as provas elaboradas tenham um cunho familiar que facilite o uso de cábulas e bombas destruidoras do bem-estar social académico para quem augura uma sociedade livre e consciente da corrupção passiva. Textos nas carteiras, cábulas em forma de código morse, escritos tipo papiros e entre outras formas de ludibriar conhecimentos que somente os alunos dos novos tempos conhecem estavam preparados para rebentar com a paz de quem lá fosse supervisionar o teste. Eu disse teste? Pensava eu que fosse um teste que eles estavam prestes a fazer mas não: Parecia mais com o testamento académico de Lúcifer. Mãos suadas, “pochinhos” Edy Lobo desfeitos, torcicolos, nádegas incómodas, tosse, o clima total igual ao do seriado americano de 2004 “desperate housewifes”, para ser mais preciso, inundava a paz dos embriões de jornalistas, os tais estudantes de comunicação social da escola em que trabalho, o IMAG 2012, os tais futuros jornalistas que não lêem, não vêem, não analisam e se prostram perante factos com parcos comentários quando o momento for emitir uma opinião construtiva. Como se de uma combina se tratasse, a tarde decidiu acinzentar- se; o pouco sol que espreitava com alguma letargia, própria da época climática que se vive, não mais queria colaborar e “tirou voado”. E não sei porquê carga d’agua, na altura em que supervisionava os putos, lembrei a música dos Black Company, pura ressaca, a parte que diz “…quanto mais o tempo passa, mais hipóteses de ressacas…”. Fui cruel, devo admitir. Comecei a rir a cada minuto que o tempo consumia. Os rostos já não demonstravam a mesma paz trazida dos aposentos, as bombas atómicas preparadas para tirar a paz do professor ficaram intactas. Poucas questões mas que pediam o fundamental: pensar com a própria cabeça. Pensar, pensar, pensar… Agora a questão que se coloca: será que eles sabem pensar? Estruturar uma ideia com base naquilo que eles já trazem e analisar para pôr em prática? Naquele momento nem mesmo um coach motivacional ajudaria, pois ninguém dá aquilo que não tem. Ainda acho que se até o Espírito Santo fosse convocado ali também se negaria a colaborar. O professor J.A.R, mentor da disciplina de Técnicas e Práticas de Jornalismo, o tal visto como Lúcifer, fez o que poucos professores fazem: estimular o pensamento dos alunos; obriga-los a pensar, a desenvolver causas a partir de um ponto de vista pessoal, isto é, criar, inovar, debater, pensar, pensar e pensar; dar uma opinião perante factos sociais. Esta foi a luta. Não demorou e os putos abriram- se para a realidade. Começaram a entregar as provas com gatafunhos e muito etc. onde não foi solicitado. Uma tristeza. Rostos cabisbaixos, lábios secos e muita raiva do Akwá. Ahm… Já me esquecia de dizer que a questão pouco suculenta e cabeluda era para escrever um artigo de opinião intitulado, “Um peditório para Akwá”. Coitado do craque; não chega a invidia que a FAF e seus detractores têm por ele, agora mais esses miúdos? É muito azar na vida!!

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