Carta do Leitor: Armazéns é nova onda de prostituição

Por:Antónia da Costa

 

Prezado director! É com muito orgulho que escrevo para este jornal. Sempre ansiei por um país onde se respeitasse a nossa cultural e a mulher angolana. Não sei se alguém já passou por este grande constrangimento, mas quero ressaltar que enquanto trabalhei num armazém como vendedora vi muita coisa. É realidade, é um facto e uma verdade. Ou seja, muitas jovens e mesmo até donas de casa encontram no trabalho da venda nos armazéns como digno e alternativa do seu ganha-pão e para o sustento das suas famílias. Com a falta de emprego todos estamos na luta, e muitas aceitam os 10.000Kz a 15.000 kz mês que eles oferecem. A prostituição, um tema polémico, uma das mais antigas profi ssões, é uma realidade dos nossos dias. A prostituição é vulgarmente entendida como uma troca consciente de favores sexuais por dinheiro ou por um outro bem em benefício pessoal. O grande problema é que todos negam, ninguém assume este crime, que vai desviando a sociedade e destruindo lares e famílias. As culpas todas recaem sobre as mulheres, e esquecemos de olhar as causas e as acções que alimentam este mal social. Os comerciantes muçulmanos trocaram o Mali, Senegal, Nigéria ou a Guiné-Conacri por Angola à procura de melhores condições de vida na prática do comércio. Os patrões dos armazéns aliciam as vítimas, com promessas de manutenção de emprego e aumento de salário. Quando o patrão está a manipular, controlar muito e criar situações humilhantes é porque já tem intenções negativas para com a trabalhadora e ela não quer ceder. Eles aproveitam-se da situação vulnerável e fragilizada das jovens para estas práticas. Geralmente, quando se trata de uma novata, nós percebíamos no dia seguinte ou momentos depois de ser abusada pela sua autoestima baixa, insegurança, ansiedade ou depressão. É também comum, o abuso partir das jovens trabalhadoras e clientes, por troca de roupas e calçados. Infelizmente, muitas delas encontraram nestas práticas a fuga da pobreza, querer vestir bem e se alimentar no local de trabalho. Práticas essas que têm arrastado muitas adolescentes que não resistem ao dinheiro fácil. Moradores e famílias vêem-se incapazes de travar o fenómeno,, porque eles fazem isso no wc dos armazéns e nas casas que eles arrendam. Os vizinhos só olham. O assunto é de domínio público e os efeitos nocivos desta práticas também o são, mas as autoridades e a sociedade civil preferem colocar o tema na gaveta e enquanto isso acontece as famílias são destruídas. É difícil identifi car uma única causa para este mal, mas é consensual que a pobreza, a má educação empurram os jovens para a prostituição. Ainda assim, os factores indicados não justifi cam. Há jovens, crianças e famílias inteiras com o futuro comprometido por conta deste mal, que, pela evolução do fenómeno, não nos surpreende ver a prostituição a tornar-se muito em breve num caso de Saúde pública no país. Muitas estão no obscurantismo e nem sequer querem saber se existe uma lei de trabalho, que as defenda quando os seus direitos são beliscados ou atropelados, a falta de contratos de trabalho. Peço ao SIC que desmantele esta rede de prostituição e promiscuidade nestes armazéns. Pois, de volta e meia, vejo nas notícias das cadeias televisivas do país prisão deste e daquele, por isto e por aquilo, “Serviço de Investigação Criminal (SIC) desmantelou um grupo” Quem quiser constatar é só andar pelos armazéns e permanecer um tempo e fazer lá amizade que vai entrar no ‘game’.

 

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