Cidade e (quase) vida

 

Por: José Kaliengue

O Huambo está uma cidade agradável, com as suas ruas largas, passeios ainda cuidados e um movimento que permite respirar. Não está engalfi nhada, a cidade, como a do Lubango, por exemplo, entupida nas suas três ou quatro ruas cercadas por musseques urbanos que a nova governação local tenta agora desfazer. O Lubango está a aproximar- se da confusão de Benguela, que também perde cada vez mais o seu sentido de cidade, talvez por causa das pessoas. Mas o Huambo corre o mesmo risco, se não receber cuidados especiais já. Se tiver transportes públicos, o Huambo pode, então, ser mesmo a capital ecológica a que aspira chegar, restringindo ao máximo a circulação de carros particulares, aproveitando os seus largos passeios para abrir explanadas e dar vida às avenidas comerciais, ou seja, a cidade ainda pode ser resgatada para as pessoas. O clima ajuda a longas caminhadas. Mas isso não basta. No Huambo, cultura não pode continuar a signifi car apenas música e bebida. A cidade tem tudo para se vestir de galerias, para recuperar as salas de teatro e de cinema, tem espaços para performances artísticas de rua. Além da ecologia, o Huambo pode também estabelecer-se rapidamente como capital cultural, uma cidade aberta e acolhedora da arte do mundo, o que seria fácil explorando a sua vocação académica e também a sua juventude. O Huambo tem tudo pronto para se reinventar como cidade do mundo altamente sofi sticada e civilizada. Vai, seguramente, tornar-se numa autarquia no próximo ano, estando aí o verdadeiro problema: de que tipo de gente virá o próximo autarca? Seguirá os passos de Kassoma e Kussumua, ou será uma entidade partidária inadequada para uma cidade deste século? Até arrepia, só de imaginar.

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