Governador de Benguela apreensivo com o quadro da investigação em Angola

O governador provincial de Benguela, Rui Falcão, manifesta-se preocupado com o actual quadro da investigação e publicação científica no país e, por isso, chama a atenção às universidades públicas e privadas para desempenharem o papel de “elemento de estímulo”

Por:Constantino Eduardo, em Benguela

Rui Falcão presidiu à conferência inaugural nas 10ªs jornadas científico- pedagógicas do ISCED da Universidade Katyavala de Benguela, no complexo Universitário da Cambanda, centrada nas “Competências dos docentes como garantia de um ensino superior de qualidade”, e salientou que a investigação científica é um dos factores indispensáveis para a valorização de uma universidade no ranking mundial.

Nesta perspectiva, o governador da província de Benguela refere que a preocupação primária de qualquer docente de via passar necessariamente pela consolidação daquilo a que deu o nome de “seu nome científico”, mediante a publicação, quer em revistas de especialidade, quer em títulos “universitários gerais”, manifestando-se apreensivo com o quadro da investigação científica do país e recorre à analogia para considerar haver ainda muito trabalho pela frente. “E é incrível que a Namíbia tenha, por exemplo, 162 participações em revistas internacionais e Angola tenha 2 no mesmo ano.

Alguma coisa não está bem. A Namíbia deve ter hoje um terço de professores universitários que a Angola tem, se chegar a um terço”, disse. Rui Falcão, que dividiu a sua prelecção em dois eixos: humano e profissional, falou do papel do professor, para quem a relação pessoal é uma condição “sine qua non”” para o processo de transmissão de conhecimento, pelo que o professor universitário deverá dispor de uma sólida estrutura psicológica e humana, alicerçada em princípios como a humildade, honradez e o respeito pelo próximo.

“O professor com problemas de relação humana não tem perfil para sê-lo, ainda que domine os conhecimentos”, justificou Rui Falcão, diante de uma plateia composta por académicos, autoridades religiosas, entre outros convidados. De acordo com o homem forte de Benguela, torna-se imperioso que se estimule os docentes angolanos a publicarem, acreditando que muitos “até escrevem, todavia não encontram estímulo para a publicação.

Nesta conformidade, chama a atenção às universidades públicas e privadas para que desempenhem o papel de “elemento de estímulo”. As preocupação do governador em relação à investigação, segundo docentes, esbarra-se naquela velha questão da falta de financiamento em Angola. Até à data presente, argumentam professores universitários, o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação não pôs à disposição, pelo menos para os docentes de Benguela, um pacote financeiro para a investigação científica.

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