Casos de surdez severa preocupam electrónico octoplástico

O especialista que também coloca no grupo dos níveis que constituem inquietações extremas as moderadas e profundas, realça que as severas requerem ser mais identifi cadas e intervencionadas, porque precisam de ser atacadas na fase inicial, exactamente no período em que são ignoradas

O técnico de electrónica octoplástica ou electromedicina, Rui Maria, recomenda às famílias a se esforçarem por identificar os problemas de surdez dos seus agregados no princípio da doença, a fim de se evitar a progressão dessa patologia para níveis preocupantes, como, por exemplo, a severa. “Trata-se das mais comuns, normalmente causadas por um acidente, como os resultantes dos grandes ruídos dos motores das grandes indústrias, designadamente as centrais hidro-eléctricas, termo-eléctricas, as aeronáuticas e outros serviços maquinalizados de grande nível.

Questionado sobre os sinais de um doente com surdez a este nível, o técnico de electromedicina considerou muito fácil e que o método (de identificação) pode até ser executado por uma pessoa que não seja especialista na área. “Eu posso chegar próximo dessa pessoa, preferencialmente fcando por detrás dela, e bater as palmas as mãos. Se esse indivíduo não ouvir, consigo saber que ele tem uma surdez severa ou profunda. Por outro lado, os pacientes com surdez têm tendência de falar muito alto, porque eles não ouvem o suficiente, mas querem transmitir mais do que o normal, para achar que a mensagem está a ser transmitida”, explicou Rui Maria, no intuito de demonstrar a técnica que qualquer pessoa pode aplicar. Salientou que em nenhum dos níveis desta doença por si referenciados se deve falar de surdez total, porque os casos de perda auditiva dependem muito da ocorrência da mesma, ao ponto de haver até outras doenças, como a malária, que podiam causar perda auditiva.

“Lamento pelo facto de o índice mais elevado recair, infelizmente, para as severas, quando todos nós podemos nos esforçar para a acautelar com a maior facilidade, por medidas simples, que tal situação ocorra”, reforçou Rui Maria, augurando que a mensagem da sua orientação chegue a todas as famílias de Angola, embora tenha opinado que a campanha precisa de ganhar contornos de envolvência social. O técnico respeita a opinião dos que defendem as chamadas mais graves, também conhecidas como as mais agudas, como bastantes inquietantes, entretanto, desafia a sociedade a engajar-se na prevenção da severa, assegurando que, se o fizer, não se vai ouvir falar de outros níveis de surdez. Adiantou que, nas quedas de audição, o técnico de medicina octoplástica, a pessoa qualificada para fazer esse tipo de trabalho, é responsável por fazer o suporte do aparelho auditivo, o chamado Moldin.

“Ele cuida do aparelho, das manutenções auditivas, participa no fabrico dos Moldin, além de tomar parte da canalização desse Moldin, espécies de auriculares que vemos cobrirem os ouvidos de alguns surdos-mudos”, detalhou o especialista, tendo acrescentando que estes meios têm níveis que dependem também da perda de audição do paciente, já que cada paciente corresponde a um tipo de queda auditiva, medida em decibéis. Em condições normais, os técnicos de electromedicina prestam serviços a empresas petrolíferas, aeronáuticas, hidro-eléctricas, fábricas e todas as áreas em que haja necessidade de uso de protectores auriculares.

Instaladores de máquinas bioquímicas

A montagem de máquinas de bioquímica em unidades hospitalares, aparelhos que facilitam a testagem da ureia, da glicemia e outras, constitui outro papel dos técnicos da área em causa, que, na óptica do interlocutor de O PAÍS deviam trabalhar numa equipa integrada por especialistas de octorrinolaringologia, psicólogos clínicos, sociólogos, educadores sociais e de infância. Aliás, Rui Maria é apologista de que os centro de Saúde maternoinfantis, as creches, escolas primárias, bem como outras instituições ou grupos sociais integrados maioritariamente por mulheres e crianças deviam constar nas prioridades de actuação dos técnicos de electrónica octoplástica. “Isso sem colocar de parte os serviços que se deve prestar aos homens, é claro”, emendou Rui, asseverando que, uma sociedade onde as mulheres e as crianças estiverem asseguradas será considerada saudável, até porque, segundo ele, a classe teoricamente posta de lado trabalha mesmo para criar a segurança da família. A electromedicina, além de cuidar de manutenção, calibração e reparação, ocupa-se da instalação de equipamentos de análises clínicas. “Por isso, recomendo que o país forme mais electromédicos e, se possível, a nível superior, a fim de garantir os referidos serviços da área da saúde, resultantes da necessidade de usos de aparelhos que resultem de incómodos auditivos.

Especialista por desafio

A especialidade de electrónica octoplástica ou electromedicina não fazia parte das aspirações de formação de Rui Maria, de 29 anos de idade, até que um dia, na preocupação de conseguir emprego, se candidatou para trabalhar numa empresa que prestava serviços às instituições de Saúde nessa área. “Um dia, no meio de 14 elementos, fui fazer uma entrevista numa empresa cujo nome ainda não posso revelar, e das três vagas disponíveis acabei por merecer uma. Mas depois de algum processo, fui dispensado e os outros dois foram mandados para o Brasil, a fim de frequentarem esse curso, por expressivos três meses”, contou o entrevistado, tendo igualmente revelado que, ao regressarem, os dois técnicos romperam o vínculo contratual com a instituição que assegurou a sua formação, por não terem concordado com algumas cláusulas contratuais.

Foi aí que Rui Maria, prevendo a insegurança do regime de colaboração que ostentava na área de arquivos do Ministério do Interior, recorreu novamente à empresa que o tinha dispensado, certo de que, com a saída dos antigos colegas de candidatura e pelo facto de já ser conhecido pela referida firma, haveria de cair novamente nas graças do patronato. Curiosamente, a direcção da empresa em causa também já procurava por Rui Maria, que aproveitou a oportunidade para impor certas condições, a seu favor, uma das quais era frequentar o curso por completo, com duração de um ano e seis meses.

“Fiz mesmo a formação cá em Angola, os técnicos é que tiveram de vir de Portugal para me dar a formação”, informou, confessando que, apesar da ânsia de conhecer o Brasil, na altura, acabou por beneficiar de uma instrução mais dirigida, por assentar na realidade do país onde lhe cabia trabalhar. Embora tenha, actualmente, ocupação numa empresa que presta serviços de electromedicina, o especialista não se sente ainda valorizado como tal, porquanto não acha estar na instituição certa e nem sente estar a ser tratado com o requerido valor.

 

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