Escritores angolanos entre os semi-finalistas do Prémio Oceanos

Pepetela concorre com a obra, “Sua Excelência, de Corpo Presente”, um romance editado pela dom quixote Texto Editores, enquanto José Eduardo Agualusa entrou na lista com a crónica “o Paraíso e outros infernos”, editada pela quetzal

Os escritores angolanos Pepetela e José Eduardo Agualusa estão entre 54 os semi-finalistas do Prémio Oceanos 2019, escolhidos por um corpo de jurado de 72 profissionais dentre as 1.467 obras concorrentes. Pepetela concorre com a obra, “Sua Excelência, de Corpo Presente”, um romance editado pela Dom Quixote Texto Editores, enquanto José Eduardo Agualusa entrou na lista com a crónica “O Paraíso e Outros Infernos”, editada pela Quetzal. Entre os 54 títulos, há 26 romances, 17 livros de poesia, sete livros de contos, três de crónicas e uma de dramaturgia, com autores de três continentes: 34 brasileiros, 18 portugueses e dois angolanos.

No livro “Sua Excelência, de Corpo Presente”, Pepetela realça a história de Jaz, um ditador africano, que num enorme salão deitado num caixão, mesmo morto, vê, ouve e pensa. Assim estirado, aprisionado num corpo sem vida, mas na posse das suas faculdades intelectuais, só lhe resta entreter-se a recordar as peripécias vividas com muitos dos que lhe vieram dizer adeus, entre os quais se encontram diversos familiares, a Primeir-adama (e as outras mulheres e namoradas), os numerosos filhos e as altas dignidades do Estado. Ao relembrar a sua vida, o percurso que o levou a presidente e os muitos anos como chefe de Estado, vai-nos revelando os meandros do poder político, o nepotismo que o corrói e os vários abusos permitidos a quem o detém.

E, como percebe tudo o que se passa à sua volta, é muito difícil a um ditador deixar de o ser. Sua Excelência, e não só vai, tecendo considerações sobre os presentes e os seus interesses políticos, como tenta adivinhar os seus pensamentos e maquinações. Mesmo morto, não deixará a sua sucessão em mãos alheias, e nela tentará imiscuir-se através do seu espião-de-um-olho-só, que lhe é tão fiel na morte como era em vida. Já José Eduardo Agualuasa, na crónica “O Paraíso e Outros Infernos”, refere-se a uma variedade de temas:

da literatura portuguesa ou de uma frase de Borges à situação política em Angola, de uma navalha Sul-africana à teoria dos sonhos e ao cabelo da sua filha, da lista de inspirações para a sua obra até à beleza da Ilha de Moçambique e à herança portuguesa no Brasil – sempre num registo literário que ultrapassa a fronteira do tempo e da sua contingência. O autor faz desses textos o ponto de partida para um livro mais complexo, misturando fragmentos do seu diário com crónicas publicadas na imprensa, ou seja, para um mapa do conhecimento do presente.

Os autores

Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos “Pepetela”, nasceu na província de Benguela a 29 de Outubro de 1941. É autor de uma obra que reflecte sobre a história contemporânea de Angola, e os problemas que a sociedade angolana enfrenta. O seu primeiro romance foi publicado em 1972, com o título As Aventuras de Ngunga. Uma obra literária que escreveu para um público pequeno de universitários. Por seu turno, José Eduardo Agualusa Alves da Cunha, nascido no Huambo a 13 de Dezembro de 1960, publicou o seu primeiro romance “A Conjura”, do qual recebeu o Prémio Revelação Sonangol. Com Nação Crioula foi distinguido com o Grande Prémio Literário RTP.

Com Fronteiras Perdidas obteve o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco da Associação Portuguesa de Escritores, enquanto Estranhões e Bizarrocos obteve o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Ciranças e Jovens, em 2002 Em 2007 recebeu o prestigioso “Prémio Independente de Ficção Estrangeira”, promovido pelo diário britânico The Independent em colaboração com o Conselho das Artes do Reino Unido, pelo livro O Vendedor de Passados. Foi o primeiro escritor africano a receber tal distinção.

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