Empreendedores querem recolocar o Cuanza-Norte no topo dos produtores de café

Fazendeiros e empreendedores do sector agrícola tencionam recuperar os airosos momentos em que o território disputava a liderança entre as províncias produtoras do bago vermelho com o Uíge e Cuanza-Sul

A intenção foi manifestada pelo presidente da COOPERAGRO ANGOLA (Cooperativa Agropecuária Polivalente de Angola), Henriques Simões, quando falava em nome dos associados num encontro mantido com o governador provincial à margem do início de vendas no Mercado Abastecedor Grossista aberto no fim-de-semana último nos arredores de Ndalatando.

A iniciativa “agrada” ao governador da província do Cuanza- Norte, Adriano Mendes de Carvalho, pois pode representar a “tábua de salvação” de uma cultura que caiu em desuso, depois de já ter sido uma das mais preferidas das comunidades locais, tendo sido sua zona de produção tradicional os municípios a Norte, onde pontificam o Ambaca, Banga, Bolongongo e Quiculungo, então detentoras das maiores fazendas daquela cultura. “Gostaríamos de pôr esta província no mapa dos maiores produtores do café pela qualidade e condições climatéricas que tem, mas desenvolver esta cultura sem ter uma unidade para secagem e tratamento, por exemplo, criando maisvalias, apenas desincentiva os produtores, que deixam a produção a estragar nas fazendas”, referiu Henriques Simões. Para “inverter o sentido das coisas”, a COOPERAGRO solicita apoio do governo, nomeadamente dos ministérios da Agricultura, Economia e comércio em direcção a tal desiderato.

A intenção dos cooperados da COOPAGRO ANGOLA coincide com as do Executivo, se levarmos em conta que ainda o mês passado o director do gabinete provincial da Agricultura e Florestas do Cuanza-Norte, Walter Demba, reiterou no município de Ambaca a aposta do governo no fomento da produção do café e na melhoria da qualidade do produto, para alavancar o desenvolvimento económico da região.

Na altura, Walter Demba falava em representação do governador Adriano Mendes de Carvalho na abertura da campanha de colheita do café 2019, realizada na Fazenda Xieto, na aldeia de Calumbo, comuna da Maua, 28 quilómetros de Camabatela, sede do município de Ambaca. Segundo o Instituto Nacional do Café de Angola (INCA), no Cuanza-Norte perspectivase colher cerca de 600 toneladas do bago vermelho, mais 50 em relação à campanha anterior, em que se previa 550 toneladas.

A falta de financiamentos, transportes, meios de produção e inputs agrícolas, constam na lista dos principais entraves no incremento da produção cafeicóla. Os baixos preços praticados, (130 a 150 Kwanzas o quilograma), é outro calcanhar de Aquiles no relançamento da produção do café na província a Norte do maior rio de Angola. É de lembrar que o Cuanza- Norte já produziu café em quase toda a sua extensão e no passado, quando ainda a região dos Dembos (hoje Bengo) fazia parte da província apenas rivalizava consigo a sua vizinha Uíge e a sua irmã gémea, província a Sul do Rio Kwanza.

Entretanto, e porque faz parte da tradição de gerações, o cultivo do pago vermelho continua a sobreviver às “intempéries” dos novos tempos e hoje a província é detentora de uma marca de um café de produção nacional que vai recebendo elogios dos bons apreciadores da bebida. Até Abril deste ano, 50 toneladas de café estavam na posse dos produtores por comercializar.

O INCA, na província, controla mil, 859 produtores familiares, mas apenas 751 encontram- se em plena actividade, explorando em média 15 a 20 hectares dos cerca de cinco mil 375 disponíveis para o cultivo, em toda a região. A COOPERAGRO é um projecto que associa neste momento 20 empresas no ramo agropecuário nacional e que procuram viabilizar o agro-negócio no Cuanza-Norte virado para as famílias camponesas e agricultores de pequena escala. A cooperativa acaba de lançar o Mercado Abastecedor Grossista, MAG, na zona da Pamba do Pneu (32 Km de Ndalatando) junto à Estrada Nacional 230 e do Caminho de Ferro de Luanda no município de Lucala, fronteira com a província de Malanje.

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