”Esperança” de Bela Chicola exibida amanhã na Casa da Cultura Jinga Mbande no Rangel

Ausente dos palcos, mas presente no convívio artístico, a cantora Bela Chicola reaparece como pintora com a obra ”Esperança”, motivada pela perda de um ente-querido, há 5 anos, que quase a levou a uma depressão

A cantora Bela Chicola estreia-se no universo das artes plásticas com a obra “Esperança”, esta Quarta-feira, 14, às 17 horas, na Casa da Cultura Jinga Mbande, Distrito Urbano do Rangel. A obra retrata a situação económica e social que o país atravessa, assim como a degradação da natureza, sobretudo o sofrimento dos animais e os lixos submersos em rios e oceanos, que não têm poupado a vida dos bichos marinhos. Com essa exposição, Chicola pretende, principalmente, alertar a sociedade sobre o perigo eminente ao qual a natureza está exposta. “Nós fazemos parte da natureza. Se continuarmos a maltratá- la, possivelmente não deixaremos nada para os nossos filhos amanhã, que também poderiam gozar dos bens que a mesma oferece”, disse a artista, acrescentando que foi impulsionada na vida, pelo seu olhar para a natureza. “Sendo humana não deixaria de fazer uma coisa para melhorar o mundo em que vivemos. Sei que o meu contributo iguala-se a uma gota no oceano e amanhã poderá aparecer outra gota, e quando nos assustarmos de verdade temos muitas gostas que poderão mudar o mundo”, realçou. Pintar após a perda da sobrinha Bela Chicola disse acreditar que as artes são inatas em si. Há 5 anos, a sua família perdeu uma sobrinha de 35 anos, e muito antes de partir para o Criador incumbiu- lhe a missão de cuidar dos seus 5 filhos, dos quais uma bebé de um mês. Assim, para prestar mais atenção às crianças, Bela Chicola viuse forçada a abdicar da música. A artista admitiu que viveu momentos de pura melancolia, sem que a sua família se apercebesse. “Fechava-me no quarto e meditava com o meu Deus o porquê daquela situação. Uma mulher com 35 anos, formada e ‘cheia de vida’, morrer e deixar os filhos. Eu chorava muito, mas depois dei conta de que estava a tornar-me depressiva” Chicola recorda que, de tanta angústia, precisava de encontrar uma forma de superação e a única foi finalmente a maneira que achou eficaz para o casamento com as artes plásticas. Bela Chicola realça, que hoje consegue criar muitas coisas, mesmo sem necessidade de passar por uma escola, e tudo o que faz aprendeu com a dor. “Nunca pensei, há 5 anos, que estaria em altura de realizar uma exposição para Angola, ou mesmo para o mundo, sendo mais ousada”, admitiu. A música e as artes plásticas Não obstante os factores já refenciados, Bela Chicola disse que nunca parou de cantar e tem conseguido conciliar a música e as artes plásticas, pese embora seja uma tarefa difícil. “Cada uma delas tem o seu tempo e espaço. Na verdade o tempo é de Deus, nós é que devemos saber conciliar o tempo com o trabalho”, realçou a cantora, sublinhando que a música não a tem concertos continuam. Enquanto tenho tempo para passear, eu faço aquilo que gosto: pintar e costurar. Sou cristã, por isso não falto à Igreja, e cumpro com o meu papel de professora dominical, mas ainda assim, tenho tempo para os meus filhos”, frisou. Quanto à recepção da novidade por parte dos seus fãs, Chicola contou que, independentemente de não entrar com frequência nas redes sociais, pelo que tem ouvido, a novidade tem sido positiva e expectante. A artista tem recebido raparigas que vão à busca de instrução para aprender a fazer arte, o que considera gratificante. Percurso Bela Chicola, cantora, de 46 anos, é natural da província do Bié. As suas canções são interpretadas principalmente em português e umbundo. O seu primeiro álbum discográfico intitula-se “Pilima Yangue”, “Minha prima” e foi lançado em 2004. Vencedora do Primeiro Festival Provincial de Vozes Femininas, realizado em 2003 na cidade do Cuito, sua terra natal, no mesmo ano ocupou a Terceira posição, no Festival Nacional, ocorrido em Julho no Cine Karl Marx, em Luanda. A artista faz os estilos musicais semba, ritmos tradicionais, afrobeat, zouk, sungura, rebita, balada e rumba. Alcas Fernandes, Jeff Brown, Dalu e Sabino Henda são alguns artistas que deram o seu contributo no seu primeiro disco, produzido em nove meses. Bela Chicola é autora das músicas “Desilusão”, “Chiquita”, “Amor”, “Miso”, “Maria Valência”, “Ndoto”, “Pilima Yangue”, “Joãozinho”, “Vem Meu Amor, entre outros sucessos.

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