Alunos do internato do Soyo pagam 18 mil Kz para despesas mensais

Desde 2016 até Abril do corrente ano que os alunos do Instituto Médio Politécnico do Soyo, na província do Zaire, participavam com um valor de 10 mil Kwanzas por mês, ao que lhes foi acrescentado mais oito mil. Segundo o director daquela instituição estatal, Alfredo Adelino, o valor, que considera simbólico, serve para pagar algumas despesas, como a água, luz, alimentação, roupa de cama e limpeza

O Instituto Médio Politécnico do Soyo, na província do Zaire, atende cerca de 1.025 alunos, destes, 237 são do sexo feminino, e 126 internos. Dos 126 internos, 26 são meninas e o restante são rapazes, provenientes de várias províncias do país. “Acontece que dentro da conjuntura em que nos encontramos, temos tido dificuldades em disponibilizar o que o aluno tem de encontrar no internato, como água, luz, alimentação, roupa de cama e limpeza. Tudo isso são custos que tentamos minimizar com uma comparticipação que de 2016 a Abril deste ano era de 10 mil Kz”, contou. Desde Agosto do corrente ano que conversaram com os encarregados de educação e aumentaram mais oito mil Kwanzas ao valor inicial cobrado para as despesas. Alfredo Adelino salientou que o que o aluno encontra no internato é uma bênção, porque é apenas uma ajudinha que seus encarregados têm dado, para o bem dos seus educandos. Ainda assim, o responsável considera ser um valor baixo, mas que ajuda, e que não pode ser considerado como uma propina e sim uma comparticipação.

Aos 14 anos já podem entrar no instituto

Quanto ao ingresso na instituição, Alfredo Adelino explicou que o aluno não paga nada, apenas deve solicitar uma vaga, principalmente os que vêm doutras províncias. Se tiverem a possibilidade de o colocar, esse aluno entra. Segundo a cronologia da instituição, os alunos entram com 14 ou 15 anos e com 21 anos terminam. Só pode ser interno a partir dos 14 anos. “Neste ano recebemos meninos com 14 anos que parece terem 12 e a sua adaptação no princípio foi difícil, porque é a primeira vez que abandonam os lares dos pais e, também, porque encontraram os “veteranos”, então isso assusta- os, mas são situações que conseguem ultrapassar”, disse. Para Alfredo Adelino, o aluno do internato é um estudante com muita pressão e a ausência que sente dos pais, bem como a falta de diversão, que muitas vezes não tem, fazem com que o mesmo seja um pouco rebelde. “Aquilo que ele não tem aqui dentro procura lá fora, então há sempre esses problemas de tentar fugir da instituição. Nós temos esse problema, porque quando se criou a escola não se levou muito em consideração a parte de segurança, a pensar que seria como numa escola para adultos e não haveria problemas de fuga”, contou. Alunos criam condições para fugirem do internato De acordo com o responsável, a vedação é de arame, que ao ser empurrado, desmorona. Então, os alunos vão criando furos que facilitam a fuga. “A nossa guerra é esta de poder colocar alvenaria, mas os valores que estão a pedir são muito altos. Já pedimos apoio aos encarrega dos de educação, mas também a conjuntura do país não é boa. Mas estamos a lutar juntos com os pais para ver se ainda este ano alcançamos essa meta”, disse. Quanto ao consumo excessivo de álcool, explicou que as crianças têm sempre um jeito de driblar tudo o que se cria em matéria de segurança para poderem levar algo para o interior da instituição.

Por essa razão, não consegue afirmar se consomem ou não dentro da instituição, porque dificilmente se registam casos do gênero, mas um ou outro problema de que tomam conhecimento e impõem medidas sérias. Um internato com 24 quartos só para os rapazes O internato do Instituto Médio Politécnico do Soyo possui 24 quartos só para rapazes, cada com quatro camas e um quarto de “infantário”, onde são colocados os mais novos, que tem 10 camas. Igualmente seis quartos para as meninas, com cinco camas.

O instituto possui ainda 23 salas contando com as oficinas e laboratórios, das quais 14 são de aulas. Uma biblioteca apenas razoável por falta de livros das áreas de formação e não só. “Gostaríamos que o Ministério dos Petróleos e a Sonangol nos apoiassem. Nós estamos a formar técnicos para as indústrias petrolíferas, mas nunca vimos esse apoio da própria Sonangol, estamos a formar quadros nesta área e nunca fomos tidos nem achados. Temos tido apoio de algumas empresas petrolíferas que estão aqui no Soyo”, esclareceu.

Contou ainda que, apesar de pouco apoio, algumas empresas têm-lhes proporcionado visitas constantes a fim de os os alunos interagirem e mostrarem o que aprendem sobre o processamento de gás. Entretanto, 86 alunos do curso de Produção Petrolífera tiveram um estágio, com todo o equipamento de segurança e até fizeram um seguro pessoal contra acidentes em todas as condições graças a SOMOIL, que tinha assinado um contrato com a instituição. “Infelizmente este ano estamos a tentar ver se um grupo entra também, mas ainda não tivemos feedback por parte dessa instituição, por isso gostariamos que Ministério dos Petróleos e Minas e a própria Sonangol nos olhassem como vêem o Instituto do Sumbe. Nós também somos uma escola que forma técnicos na área das indústrias extrativas”, apelou.

“Não é fácil viver num internato, mas acostumamo-nos”

Helena Vavela, proveniente da provincia de Cabinda, de 17 anos, aluna do 2º ano do curso de Electrónica, Automação e Instrumentação, disse que não é fácil viver no internato, mas com o tempo acostumou-se. A jovem estudante conta que entrou aos 15 anos no internato e teve muitas dificuldades de adaptação, porque era a primeira vez que deixava a família para estudar, e ainda mais estudante numa outra província, por essa razão ainda sente saudades. Apesar de estar a estudar, salientou que nunca foi seu sonho fazer esse curso. “Eu fui obrigada pelos meus pais a fazer este curso, mas aos poucos vou gostando do que vejo. O meu sonho foi sempre fazer Comunicação Social e ser jornalista. A estudante garantiu que tem sido boa a relação de alunos com professores e outros dirigentes têm mostrado preocupação com os estudantes internos, uma vez que muitos pais vivem distante e os filhos sentem-se abandonados.

Por sua vez, o estudante Manuel Komba, de 17 anos de idade, do curso de Perfuração e Produção Petrolífera, ao contrário da sua colega, disse ser o curso dos seus sonhos, porque desde pequeno teve vocação para as engenharias e teve sempre a tendência de pesquisar cursos relacionados. Conta que a família nunca o influenciou na escolha do curso e depois de terminar o médio, no próximo ano, dará continuidade do mesmo curso numa universidade, para aprofundar mais os conhecimentos e ganhar experiência para poder transmitir e ajudar no desenvolvimento do país. “Aqui temos tido a oportunidade de entrar em laboratórios e observar as máquinas e projecções que nos mostram como correm os trabalhos dentro e fora do mar, mas temos tido poucas aulas práticas e isso pode criar algumas dificuldades”, disse.

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