Atenção aos dedos

Segundo o ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, o processo de privatização de empresas deve ser um meio para alcançar níveis de competição e de efi ciência adequadas na gestão empresarial em Angola e na economia. Tudo certo, teoricamente. E é como se deseja, aliás. Cá para mim, o Governo não tem alternativa, se quiser mesmo pôr a economia a mexer, mas sobretudo se quiser livrar de encargos “não produtivos”.

Contudo, e nestas coisas em que quem vende está numa situação difícil, o normal será o Governo confrontar-se com regateios para que ofereça as joias a preço de nada, e os dedos também, daí que se deve convocar toda a inteligência e preparar planos B e C, para que o Estado não fi que a perder, ainda que a Governação tenha um aparente ganho, temporário. Um pacote com quase duzentas empresas a privatizar é muito grande. E é demasiado grande quando é apresentado com um prazo relativamente curto, mas sem uma estimativa de arrecadação fi nanceira. Eu, pelo menos, ainda não ouvi nada sobre o montante a embolsar pelo Estado, espero ser o único.

Por outro lado, nisto do risco de se fi car sem os dedos também, numa fase em que os ricos angolanos estão a ser desbaratados, muitos justamente, há ainda a preocupação sobre as mãos que tomarão posse das empresas, algumas com valor estratégico absoluto.

Ficarão em mãos estrangeiras? Ficará o Estado com a acção de ouro ou voto de qualidade? Poderá o “Zé Povinho” adquirir acções? É que privatizar também deve pressupor democratizar a economia.

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