Cidadãos “desmentem” dados do Governo sobre criminalidade

O governador provincial de Benguela considera que a região sob sua jurisdição, em termos de segurança pública, está melhor do que muitas outras provinciais do país e que a criminalidade que ocorre é intra-familiar. Entretanto, em entrevista a OP AÍS, cidadãos disseram que, contrariamente ao que os dados de Rui Falcão fazem crer, têm sido sistematicamente assolados por acções de meliantes

Por: Constantino Eduardo, em Benguela

De acordo com Rui Falcão, que intervinha no IV congresso científico promovido recentemente pelo Hospital Geral de Benguela, o índice de criminalidade em Benguela baixou significativamente e os problemas que ocorrem actualmente são de natureza intra-familiar.

A nível da segurança, segundo Falcão, Benguela está melhor do que muitas outras províncias do país. Actualmente, os problemas que se registam nesse domínio, esclarece, não são tão alarmantes assim. “Mesmo nos nossos hospitais, os feridos que lá chegam, a maior parte deles, se não são acidentes de viação, são problemas lá em casa”, disse, numa clara alusão de que não existem casos de criminalidade que, de certa medida, preocupem as autoridades.

“Então temos de continuar, progressivamente, a prestar melhor serviço público em todas as vertentes”, pede. Face às declarações de Falcão, proferidas Sexta-feira, 9, a nossa reportagem andou por alguns bairros para aferir a realidade prática, abordando, para o efeito, alguns cidadãos. Na passagem de nível, à entrada do bairro da Fronteira, cidadãos queixaram-se dos assaltos de que têm sido vítimas e falam de falta de policiamento na zona. Um mototaxista, identificado apenas por Zé, descreve o cenário por que passam como sendo “preocupante” e diz haver bairros onde não podem ir, pelo facto de os roubos e esfaqueamentos serem frequentes. “Na Kalossombekwa, Navegantes e Kalomanga há muita criminalidade”, disse. Já no bairro da Kalomanga, alguns moradores não se quiseram identificar nem gravar entrevista, limitando-se apenas a apelar para a acção da Polícia Nacional por aquilo a que chamam de “quadro caótico em termos de criminalidade”. Voltemos ao moto-taxista Zé.

O mais-velho, na casa dos 50 anos, revela que muitos dos seus colegas viram, impotentes, os meliantes a roubarem-lhes os seus meios de subsistência, as motos. “Um dos nossos colegas saía dos Navegantes e levou um passageiro ao centro da cidade, lá por volta das 17 horas, e ele afinal era delinquente e levou-lhe a moto e os documentos”, explica, manifestando, por isso, o seu sentimento de insegurança. “Você leva alguém e pensa que é cliente e posto no destino inventa uma manobra para te tirar a moto. A criminalidade, aqui, é muita”, revela Jó, um outro morador.

As preocupações manifestadas por cidadãos coincidem com o inquérito que o Comando Provincial da Polícia Nacional em Benguela leva a cabo para aferir o grau de criminalidade na província, com destaque para os municípios do litoral de Benguela. Em entrevista a uma rádio, o porta-voz da Comissão de Inquérito, inspector Filipe Cachota, para além do conteúdo dos relatórios, disse que o comandante provincial pretende a real situação que as pessoas vivem nos seus bairros, ouvindo a opinião do cidadão sobre o serviço prestado pela Polícia.

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